Category — Da alma
Testemunha da esperança
Quem diria…
Também vi o mundo mudar.
E as esperanças?
Sonhava em participar das bravuras,
Que mudaram meu tempo.
Minha formação familiar e religiosa
Roubou-me da utopia comunista.
Não fui um, “cara pintada”.
A cara da esperança.
Dei-me por gente
E a ditadura acabou.
Esperança em preto e branco.
Não votei, mas torci.
Que vergonha…
Um almofadinha
Disfarçado de esperança.
As utopias foram desfeitas,
Bem na minha frente.
Nas telas:
É muro que cai;
Um mito que vai;
Um vermelho revela o seu desbote.
Esperança sem cor.
Mudanças de outrora,
Dos franceses, ingleses,
Não foram brindados com imagens.
Esperança sem cara.
Mudança do tempo, do desenvolvimento,
Vemos e nos chocamos.
Como ainda somos atrasados.
Contemporâneos das esperanças!
O homem evolui:
Pra criar duas grandes guerras;
Pra desenvolver armas de destruição em massa;
Pra usá-la contra as esperanças.
Acabar com a escravidão,
Sem erradicar a fome!
O berço da humanidade,
A nossa mãe
Segue definhando.
Só que agora é
Ao vivo e a cores.
Nas telas planas, plasmas, LCD e outras mais…
Esperança virtual
Gente espoliada, mundo livre!?
Mundo real.
Cadê as esperanças?
Eu evoluí?
Deitado em minha cama,
Vejo o mundo.
Acompanho tecnologia nascer e morrer,
Orgulho capitalista desaba em escombro,
O retirante operário virar presidente,
O dinheiro verde e forte enfraquece,
Gigantes desabam,
Um negro vira o homem mais poderoso da terra,
Moeda única do bloco poderoso
Cambaleia junto com as esperanças.
Quem diria.
Eu!
Testemunha ocular.
Fomos encontrados no mapa,
Mas cadê as esperanças no atlas?
Qual será a missão da minha geração?
Penso que é salvar o mundo.
Salvar de nós mesmo.
É salvar as esperanças.
Lixo, devastação da nossa casa.
Fome, devastação do nosso próximo.
Guerra, devastação do nosso amor.
Egoísmo, devastação das esperança.s
Vi sim, o mundo mudar,
Não o vi evoluir.
Sonho em participar das mudanças.
Mas não tenho coragem.
Fico aqui covardemente,
Assistindo de camarote.
Esperança está deitada.
Ainda há.
Tem que haver.
Tenho que despertar.
Tenho que deixar
Esperança para meus filhos.
Trazem a força,
Eles são as esperanças.
Vejo esperança
Sempre renascendo.
Esperança talvez seja de cor verde.
Mudanças,
Não importa a muito a cor.
Enquanto houver essa possibilidade
Ainda haverá esperança.
julho 13, 2010 No Comments
Nasceu Jesus
Faltava conhecimento
Nasceu a verdade
O divino encarnado
A ciência nunca ira vê
O caos era o mundo
Nasceu a harmonia
Vida reformulada
Ambos tiveram sentido
Na terra da morte
Nasceu a vida
Aos mortos houve guarida
À vida encontrou finalidade
Em extremo desespero
Nasceu a esperança
Homens festejando
Os dois fizeram parte da criança
Do futuro os magos falavam
Nasceu o destino
O aleatório tornou-se lindo
Os magos o presentearam
Ainda em trevas
Nasceu a luz
O mundo se desviava
O norte foi uma cruz
Entre os malvados
Nasceu o amor
O mal foi destacado
E logo conheceu o terror
Em tempos de guerra
Nasceu a paz
Foi rejeitado na terra
Coexistir ainda é incapaz
Os deuses eram esperados
Nasceu o menino
Logo foi discriminado
E todos conheceram o divino
No lugar em que nasceu
Foi lá que viveu
Próximo d’ali morreu
Mas depois reviveu
Jessé Soares
dezembro 21, 2009 No Comments
A amizade dos meus sonhos
Sonho com uma amizade onde às lágrimas nunca seja vergonha, mas a exposição da alma, que à vida seja sempre maior que o dinheiro e à palavra maior que o contrato.
Quero uma amizade onde ter medo de lagartixa seja respeitado, que tenha à confiança como fundamento e soprando ventos da fofoca ela permaneça inabalável.
Quero uma amizade onde o sorriso seja simplesmente alegria, beijo carinho e à verdade o espelho interior, que eu tenha sempre à liberdade de ser um escravo, ou seja, minhas vontades estejam a serviço dessa amizade e à minha satisfação seja à tua alegria.
Quero uma amizade que supere nosso silêncio e à tagarelice não seja saída para interromper nosso contato.
Quero uma amizade onde à fragilidade seja compreendida e que ela não seja combatida com discurso triunfalista, que meu amigo saiba que momentos assim são necessários.
Quero uma amizade que me aceite assim como sou, minha classe social ou grau de educação e até minha religião jamais sejam mais importantes que ela, que nossas opiniões não sejam maiores que nosso amor.
Quero um amigo de verdade que caminhe ao meu lado mesmo quando não sei para onde vou, que seja mais companheiro e menos bússola.
Sonho com uma amizade que supere limites relacionais humanos e conduza-me a Deus.
JESSÉ
dezembro 9, 2009 No Comments
Meus Dedos
Meus dedos às vezes me surpreendem.
Fico cheio deles quando me sinto intocável.
Quando o ver e o julgar são meus e não de alguém
Meto os dedos pelos olhos de outrem: atitude abominável.
Dedos que, quando curvados, somam-se ao punho cerrado
E cedem ao capricho traiçoeiro e incontrolável
De empreender força e poder, num gesto obcecado.
Dedos que quando confabulam por vezes me traem.
Querem para si, o dom do rei Midas – mito ou realidade? Não importa.
O fato é que Baco, com pesar, consentiu o desejo do pobre homem.
E o poder do toque de ouro, prosperidade tola, escolha torta
Logo trouxe ao monarca horror, desespero, aflição.
E aí meus dedos viraram-se para mim, abrindo assim a porta
Dizendo: é tudo efêmero, passageiro, vão. Queres morrer de inanição?
Dedos justapostos, gesto de reverência, fragilidade,
[contrição.
Dedos entrelaçados que retardam o agir,
[procrastinação.
Dedos que insistem em não se encolher
Apesar da dor dos anéis que se foram e dos que ainda se vão,
[não temer.
Indicadores e médios estalados: som, ritmo e cadência.
Mindinhos que não se dobram sem os anulares:
Força da dependência ou poder natural da influência?
Dedos presentes até na promessa escoteira
Indicador, médio e anular nos lembram, como uma flor de lis
O compromisso para com Deus e a Pátria brasileira,
Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, assim o promessado diz.
Dedos que individualmente nos ensinam também na lida.
Polegar que funciona como termômetro da vida:
Para baixo: tô fraco, devagar, negativo, sem futuro, vaia em “u”;
Para cima: beleza, legal, positivo, pode crer, tudo azul!
Médio que quando altivo oprime toda mão,
Torna-se feio, grosso, mal educado, inconveniente, torpe palavrão.
É cascudo violento, bronca, malvadeza, tolice, esforço em vão.
Indicador em riste é dono da verdade, todo orgulhoso.
Tem mínimo, anular e médio como antítese incontestável;
Obriga o polegar a colocar alguém como mentiroso.
O anular, onde ordinariamente encontra-se algum anel,
Quer seja de formatura, compromisso, aliança, tucum,
Insiste em nos perguntar, às vezes, com gosto de fel:
Ei, psiu! Por ventura esquecestes que és tu?
O mindinho é completude, virtude, simplicidade!
O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, mecânico, torneiro
Não pode fazer conchinha nem coçar o ouvido, verdade!
Não parou com a prensa que a vida lhe deu, em frente, companheiro!
Até Baden Powell, na África, aprendeu essa lição de amizade:
Sela o aperto de mão esquerda, do lado do coração do guerreiro
Que baixa o escudo em reconhecimento, confiança, sinceridade!
Dedos meus com os quais sempre converso
Ponta com ponta: polegares no queixo, indicadores sobre o nariz,
Reflexões tamanhas, pensamentos e enredos em prosa e verso
É como pondera, às vezes ligeiro, outras sem pressa, o eterno aprendiz.
E assim seguem os dez dedos meus.
Partes contidas no todo desse humano corpo:
Morada do Espírito, Templo de Deus.
Abração a Tod@s!
Wendel Cavalcante
dezembro 2, 2009 2 Comments
QUEM SOU EU?
Quem sou eu?
Uma voz ou um sussurro
Talvez um diálogo ou ainda um monólogo
Será um vilão ou um herói
Não sei se sou paz ou se sou guerra
Uma comedia ou um drama
Uma parte de mim diz sim
Outra diz não
Às vezes viajo
Outras vezes fico estacionado
Iludo-me para em seguida ser desiludido
Já ansiei a vida hoje aspiro à morte
Não sou pessimista e nem tenho esperança
Meu Deus quem sou eu?
Que oscila entre
A verdade e mentira
O santo e profano
O gênio e o medíocre
O bem e o mal
O altruísta e o egoísta
O amor e o ódio
A alegria e a tristeza
Houve dia que tive Deus
Hoje parece que tenho o inferno
Já sonhei e agora vivo a realidade
Que é simplesmente um pesadelo
Tenho saudade
Mas não perdi nada e nem ninguém
Já sei
Perdi a mim mesmo
Meu Deus!
Acho que sou a contradição
Afinal quem sou eu?
novembro 30, 2009 1 Comment
Amar
André Comte-Sponville
“Estar apaixonado é um estado”, dizia Denis de Rougement; “amar, um ato”. O casal, quando o amor sobrevive à coabitação, quando nela cresce, permite que passemos deste estado (o amor-paixão: aquele que sofremos) para esse ato (o amor-ação: aquele que fazemos, cultivamos, assumimos). É preciso ser bem jovem ou bem ignorante para não ver nisso um progresso. Estar apaixonado é sentir falta de alguém: I need you; te quiero… Amar é não sentir falta de nada: é fruir e regozijar-se de uma presença, de uma existência, de um amor. Cuidado, contudo, para, entre esses dois pólos, não absolutizar a diferença. Não há nada mais relativo, nada mais flutuante que nossas histórias de amor. Por força de nossa finitude, há sempre uma falta em nós, sempre paixão ou passividade, sempre dependência, sempre uma criancinha que busca um seio ou um amor. E quase sempre bastante força ou alegria para dá-lo, ao menos um pouco. “A criança só sabe pegar”, dizia Svâmi Prajnânpad, “é o adulto que dá”. Isso pelo menos indica o caminho. Comumente, começamos por amar aquele ou aquela que não temos, que nos falta, que gostaríamos de possuir e conservar; depois aprendemos a nos regozijar, no melhor dos casos, com o que ninguém jamais possuirá, que é a existência do outro, a liberdade do outro, o amor do outro… O casal não é o contrário da solidão: é um modo de vivê-la juntos, sem negá-la ou renegá-la, sem aboli-la ou traí-la. “Na medida em que somos sós”, escrevia Rilke, “o amor e a morte se aproximam”. Também a solidão e o amor, na medida – sempre finita – em que vivemos.
Que tudo isso começa na sexualidade – no mais obscuro do homem e da mulher, no mais animal, no mais bestial, e nem por isso menos humano – é o que ninguém ignora e que constitui como que um prazer a mais, que nos fascina, que nos assusta, que nos move e nos comove. Maravilhosa obscenidade dos corpos. Alegre repetitividade do desejo. Perturbadora intimidade das carícias. Esplendor da volúpia. E tanta violência, e tanta doçura, e tanta ternura! Poder de fruir. Poder de se regozijar. O sexo é uma noite e um sol. O amor – quando amor há – é sua luz e seu repouso.
Eu te amo: preciso de ti e de teu amor, de teu corpo e de teu sorriso, de teu olhar e de tua paz. Para ser feliz? Sim, quando possível. E, para suportar não sê-lo, quando a felicidade falta.
André Comte-Sponville
A vida humana
Capítulo V – Amar
WMF Martins Fontes
novembro 25, 2009 1 Comment
Sonhar
Sonhar Sozinho no meu silencio
Tento pensar.
Organizar idéias que são muitas.
Às vezes até penso que são infinitas.
Mas quando quero não acho nenhuma
Evaporou.
Da mesma forma que apareceu
Sumiu.
Sou teimoso e insisto forçando o raciocínio.
Lá no fundo aparece uma e outra.
Mas é muito difícil de identificar quem é quem.
Está tudo misturado,
Embaçado como a nevoa.
Parecia tudo tão fácil
Estava ali
Quando pego papel e caneta
Cadê?
Como é ser um sonhador?
Como é ser um amante?
Como é ser um poeta?
Eu não sei
Sei que é um dom.
Nasce com você
É privilegio de poucos.
Sei que não é o meu caso
Eu apenas aspiro
Admiro e às vezes até sonho.
novembro 21, 2009 1 Comment
Peso Inverso
Texto de Heber Emerich
Vivemos num mundo onde respeito virou ofensa, (já experimentou chamar uma mulher de senhora?)
Declaração de sentimentos ficou brega,
Palavras com os mais poderosos significados, transformaram-se em chavões sem valor,
Expressões carregadas de verdades, hoje são clichês.
Tudo depende, tudo é relativo,
Amor é utopia, felicidade é inalcançável,
Tomar posição ou ter opinião é burrice,
Paixões são fraquezas, e fraquezas são mal vistas.
Valoriza-se a pessoa pelo preço dos bens que ela possuí.
A informação é tendenciosa, manipulada, manipuladora, duvidosa e traz dúvidas,
Num grupo ou em alguém, só há maldade, ou, só a bondade, dependendo de quem está observando.
Ideologia é estupidez, paz é guerra, conhecimento é inútil, critica é chatice.
Arte é qualquer coisa, bunda é instrumento musical,
E Deus, virou religião.
[hebER]
novembro 18, 2009 No Comments
Sapiência Suprema
Lao-Tsé
Inteligente é quem outros conhece;
Sapiente é quem se conhece a si mesmo.
Forte é quem outros vence;
Poderoso é quem se domina a si mesmo.
Ativo é quem muito trabalha;
Rico é quem vive contente.
Firme é quem vive em seu posto,
Eterno é quem supera a morte.
novembro 13, 2009 No Comments
REDENÇÃO
Quando olho às injustiças
Quando sinto às dores que às enfermidades me trazem
Quando descubro que é só à maldade que aumenta
Percebo que há algo de errado com esse mundo
Alguma coisa dentro de mim grita que não devo ser daqui
Não fui feito para esse lugar
Assim como eu a natureza parece também gemer
Juntos negamos essa realidade
Suplicamos por mudança
E esse dia virá
Toda realidade será transformada
Conheceremos o lugar para o qual fomos criados
Aquele que iniciou virar concluir sua obra
Toda lágrima será enxuta toda dor se dissipará
E em fim toda vida fará sentido
Nossa esperança se materializará
Nossa casa voltará ser a semelhança do éden
Nossa terra será para todo o sempre redimida
novembro 4, 2009 No Comments
