Todo ponto de vista é a vista de um ponto
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Category — Da alma

Nasceu Jesus

Faltava conhecimento
Nasceu a verdade
O divino encarnado
A ciência nunca ira vê

O caos era o mundo
Nasceu a harmonia
Vida reformulada
Ambos tiveram sentido
 
Na terra da morte
Nasceu a vida
Aos mortos houve guarida
À vida encontrou finalidade

Em extremo desespero
Nasceu a esperança
Homens festejando
Os dois fizeram parte da criança

Do futuro os magos falavam
Nasceu o destino
O aleatório tornou-se lindo
Os magos o presentearam

Ainda em trevas
Nasceu a luz
O mundo se desviava
O norte foi uma cruz

Entre os malvados
Nasceu o amor
O mal foi destacado
E logo conheceu o terror
 
Em tempos de guerra
Nasceu a paz
Foi rejeitado na terra
Coexistir ainda é incapaz
 
Os deuses eram esperados
Nasceu o menino
Logo foi discriminado
E todos conheceram o divino

No lugar em que nasceu
Foi lá que viveu
Próximo d’ali morreu
Mas depois reviveu

Jessé Soares

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dezembro 21, 2009   No Comments

A amizade dos meus sonhos

Sonho com uma amizade onde às lágrimas nunca seja vergonha, mas a exposição da alma, que à vida seja sempre maior que o dinheiro e à palavra maior que o contrato.

Quero uma amizade onde ter medo de lagartixa seja respeitado, que tenha à confiança como fundamento e soprando ventos da fofoca ela permaneça inabalável.

Quero uma amizade onde o sorriso seja simplesmente alegria, beijo carinho e à verdade o espelho interior, que eu tenha sempre à liberdade de ser um escravo, ou seja, minhas vontades estejam a serviço dessa amizade e à minha satisfação seja à tua alegria.

Quero uma amizade que supere nosso silêncio e à tagarelice não seja saída para interromper nosso contato.

Quero uma amizade onde à fragilidade seja compreendida e que ela não seja combatida com discurso triunfalista, que meu amigo saiba que momentos assim são necessários.

Quero uma amizade que me aceite assim como sou, minha classe social ou grau de educação e até minha religião jamais sejam mais importantes que ela, que nossas opiniões não sejam maiores que nosso amor.

Quero um amigo de verdade que caminhe ao meu lado mesmo quando não sei para onde vou, que seja mais companheiro e menos bússola.

Sonho com uma amizade que supere limites relacionais humanos e conduza-me a Deus.

JESSÉ

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dezembro 9, 2009   No Comments

Meus Dedos

Meus dedos às vezes me surpreendem.
Fico cheio deles quando me sinto intocável.
Quando o ver e o julgar são meus e não de alguém
Meto os dedos pelos olhos de outrem: atitude abominável.
Dedos que, quando curvados, somam-se ao punho cerrado
E cedem ao capricho traiçoeiro e incontrolável
De empreender força e poder, num gesto obcecado.

Dedos que quando confabulam por vezes me traem.
Querem para si, o dom do rei Midas – mito ou realidade? Não importa.
O fato é que Baco, com pesar, consentiu o desejo do pobre homem.
E o poder do toque de ouro, prosperidade tola, escolha torta
Logo trouxe ao monarca horror, desespero, aflição.
E aí meus dedos viraram-se para mim, abrindo assim a porta
Dizendo: é tudo efêmero, passageiro, vão. Queres morrer de inanição?

Dedos justapostos, gesto de reverência, fragilidade,
[contrição.
Dedos entrelaçados que retardam o agir,
[procrastinação.
Dedos que insistem em não se encolher
Apesar da dor dos anéis que se foram e dos que ainda se vão,
[não temer.

Indicadores e médios estalados: som, ritmo e cadência.
Mindinhos que não se dobram sem os anulares:
Força da dependência ou poder natural da influência?
Dedos presentes até na promessa escoteira
Indicador, médio e anular nos lembram, como uma flor de lis
O compromisso para com Deus e a Pátria brasileira,
Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, assim o promessado diz.

Dedos que individualmente nos ensinam também na lida.
Polegar que funciona como termômetro da vida:
Para baixo: tô fraco, devagar, negativo, sem futuro, vaia em “u”;
Para cima: beleza, legal, positivo, pode crer, tudo azul!
Médio que quando altivo oprime toda mão,
Torna-se feio, grosso, mal educado, inconveniente, torpe palavrão.
É cascudo violento, bronca, malvadeza, tolice, esforço em vão.

Indicador em riste é dono da verdade, todo orgulhoso.
Tem mínimo, anular e médio como antítese incontestável;
Obriga o polegar a colocar alguém como mentiroso.
O anular, onde ordinariamente encontra-se algum anel,
Quer seja de formatura, compromisso, aliança, tucum,
Insiste em nos perguntar, às vezes, com gosto de fel:
Ei, psiu! Por ventura esquecestes que és tu?

O mindinho é completude, virtude, simplicidade!
O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, mecânico, torneiro
Não pode fazer conchinha nem coçar o ouvido, verdade!
Não parou com a prensa que a vida lhe deu, em frente, companheiro!
Até Baden Powell, na África, aprendeu essa lição de amizade:
Sela o aperto de mão esquerda, do lado do coração do guerreiro
Que baixa o escudo em reconhecimento, confiança, sinceridade!

Dedos meus com os quais sempre converso
Ponta com ponta: polegares no queixo, indicadores sobre o nariz,
Reflexões tamanhas, pensamentos e enredos em prosa e verso
É como pondera, às vezes ligeiro, outras sem pressa, o eterno aprendiz.
E assim seguem os dez dedos meus.
Partes contidas no todo desse humano corpo:
Morada do Espírito, Templo de Deus.

Abração a Tod@s!

Wendel Cavalcante

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dezembro 2, 2009   2 Comments

QUEM SOU EU?

Quem sou eu?
Uma voz ou um sussurro
Talvez um diálogo ou ainda um monólogo
Será um vilão ou um herói
Não sei se sou paz ou se sou guerra
Uma comedia ou um drama
Uma parte de mim diz sim
Outra diz não
Às vezes viajo
Outras vezes fico estacionado
Iludo-me para em seguida ser desiludido
Já ansiei a vida hoje aspiro à morte
Não sou pessimista e nem tenho esperança

 

Meu Deus quem sou eu?
Que oscila entre
A verdade e mentira
O santo e profano
O gênio e o medíocre
O bem e o mal
O altruísta e o egoísta
O amor e o ódio
A alegria e a tristeza
 

Houve dia que tive Deus
Hoje parece que tenho o inferno
Já sonhei e agora vivo a realidade
Que é simplesmente um pesadelo
Tenho saudade
Mas não perdi nada e nem ninguém
Já sei
Perdi a mim mesmo
Meu Deus!
Acho que sou a contradição
Afinal quem sou eu?

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novembro 30, 2009   1 Comment

Amar

André Comte-Sponville

“Estar apaixonado é um estado”, dizia Denis de Rougement; “amar, um ato”. O casal, quando o amor sobrevive à coabitação, quando nela cresce, permite que passemos deste estado (o amor-paixão: aquele que sofremos) para esse ato (o amor-ação: aquele que fazemos, cultivamos, assumimos). É preciso ser bem jovem ou bem ignorante para não ver nisso um progresso. Estar apaixonado é sentir falta de alguém: I need you; te quiero… Amar é não sentir falta de nada: é fruir e regozijar-se de uma presença, de uma existência, de um amor. Cuidado, contudo, para, entre esses dois pólos, não absolutizar a diferença.  Não há nada mais relativo, nada mais flutuante que nossas histórias de amor. Por força de nossa finitude, há sempre uma falta em nós, sempre paixão ou passividade, sempre dependência, sempre uma criancinha que busca um seio ou um amor. E quase sempre bastante força ou alegria para dá-lo, ao menos um pouco. “A criança só sabe pegar”, dizia Svâmi Prajnânpad, “é o adulto que dá”. Isso pelo menos indica o caminho. Comumente, começamos por amar aquele ou aquela que não temos, que nos falta, que gostaríamos de possuir e conservar; depois aprendemos a nos regozijar, no melhor dos casos, com o que ninguém jamais possuirá, que é a existência do outro, a liberdade do outro, o amor do outro… O casal não é o contrário da solidão: é um modo de vivê-la juntos, sem negá-la ou renegá-la, sem aboli-la ou traí-la. “Na medida em que somos sós”, escrevia Rilke, “o amor e a morte se aproximam”. Também a solidão e o amor, na medida – sempre finita – em que vivemos.

Que tudo isso começa na sexualidade – no mais obscuro do homem e da mulher, no mais animal, no mais bestial, e nem por isso menos humano – é o que ninguém ignora e que constitui como que um prazer a mais, que nos fascina, que nos assusta, que nos move e nos comove. Maravilhosa obscenidade dos corpos. Alegre repetitividade do desejo. Perturbadora intimidade das carícias. Esplendor da volúpia. E tanta violência, e tanta doçura, e tanta ternura! Poder de fruir. Poder de se regozijar. O sexo é uma noite e um sol. O amor – quando amor há – é sua luz e seu repouso.

Eu te amo: preciso de ti e de teu amor, de teu corpo e de teu sorriso, de teu olhar e de tua paz. Para ser feliz? Sim, quando possível. E, para suportar não sê-lo, quando a felicidade falta.  

 

André Comte-Sponville
A vida humana
Capítulo V – Amar
WMF Martins Fontes

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novembro 25, 2009   1 Comment

Sonhar

Sonhar Sozinho no meu silencio

Tento pensar.

Organizar idéias que são muitas.

Às vezes até penso que são infinitas.

Mas quando quero não acho nenhuma

Evaporou.

Da mesma forma que apareceu

Sumiu.

Sou teimoso e insisto forçando o raciocínio.

Lá no fundo aparece uma e outra.

Mas é muito difícil de identificar quem é quem.

Está tudo misturado,

Embaçado como a nevoa.

Parecia tudo tão fácil

Estava ali

Quando pego papel e caneta

Cadê?

Como é ser um sonhador?

Como é ser um amante?

Como é ser um poeta?

Eu não sei

Sei que é um dom.

Nasce com você

É privilegio de poucos.

Sei que não é o meu caso

Eu apenas aspiro

Admiro e às vezes até sonho.

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novembro 21, 2009   1 Comment

Peso Inverso

Texto de Heber Emerich

Vivemos num mundo onde respeito virou ofensa, (já experimentou chamar uma mulher de senhora?)

Declaração de sentimentos ficou brega,

Palavras com os mais poderosos significados, transformaram-se em chavões sem valor,

Expressões carregadas de verdades, hoje são clichês.

Tudo depende, tudo é relativo,

Amor é utopia, felicidade é inalcançável,

Tomar posição ou ter opinião é burrice,

Paixões são fraquezas, e fraquezas são mal vistas.

Valoriza-se a pessoa pelo preço dos bens que ela possuí.

A informação é tendenciosa, manipulada, manipuladora, duvidosa e traz dúvidas,

Num grupo ou em alguém, só há maldade, ou, só a bondade, dependendo de quem está observando.

Ideologia é estupidez, paz é guerra, conhecimento é inútil, critica é chatice.

Arte é qualquer coisa, bunda é instrumento musical,

E Deus, virou religião.

[hebER]

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novembro 18, 2009   No Comments

Sapiência Suprema

Lao-Tsé

Inteligente é quem outros conhece;
Sapiente é quem se conhece a si mesmo.
Forte é quem outros vence;
Poderoso é quem se domina a si mesmo.
Ativo é quem muito trabalha;
Rico é quem vive contente.
Firme é quem vive em seu posto,
Eterno é quem supera a morte.

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novembro 13, 2009   No Comments

REDENÇÃO

Quando olho às injustiças

Quando sinto às dores que às enfermidades me trazem

Quando descubro que é só à maldade que aumenta

Percebo que há algo de errado com esse mundo

Alguma coisa dentro de mim grita que não devo ser daqui

Não fui feito para esse lugar

Assim como eu a natureza parece também gemer

Juntos negamos essa realidade

Suplicamos por mudança

E esse dia virá

Toda realidade será transformada

Conheceremos o lugar para o qual fomos criados

Aquele que iniciou virar concluir sua obra

Toda lágrima será enxuta toda dor se dissipará

E em fim toda vida fará sentido

Nossa esperança se materializará

Nossa casa voltará ser a semelhança do éden

Nossa terra será para todo o sempre redimida

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novembro 4, 2009   No Comments

Um monstro habita em mim

(Escrevi na época do caso Isabela)

Hoje eu não tenho sede e nem sonhos.
O amor se foi junto com o último suspiro.
Vejo mãos tremulas de vida louca.
Não espero a alvorada, só a angustia e esta também já me deixou.

Quem é esse que escreve sem objetivos, os dedos não sabem o que apertar.
Seria alguém completamente desprovido de todas as características humanas.
Vazio e oco, preste a ser cheio por qualquer coisa.
Um filme qualquer, uma piada de mau gosto.
Ou qualquer barulho que não me deixe sozinho.

Estou fora de mim, mas sinto tudo e tudo que não é bom.
Quero buscar um fim, mas não sei onde ele está.
Talvez saiba, mas não tenho coragem.

Existem horas que a mais bela canção é insossa.

O sol é só gás, o quadro é apenas um objeto.

Criança é só um adulto que vai crescer

E por fim escrever algo parecido com isso.

E se for assim não valerá apena.

Talvez seja melhor voar pela janela, do que um dia fazer outro voar.

As lágrimas são para fingir e buscar piedade

O sorriso para celebrar o crime perfeito.

A lealdade a mim mesmo, o amor a nada e o prazer a qualquer preço…

Humanos!?

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outubro 14, 2009   No Comments