Category — Da alma
Um monstro habita em mim
(Escrevi na época do caso Isabela)
Hoje eu não tenho sede e nem sonhos.
O amor se foi junto com o último suspiro.
Vejo mãos tremulas de vida louca.
Não espero a alvorada, só a angustia e esta também já me deixou.
Quem é esse que escreve sem objetivos, os dedos não sabem o que apertar.
Seria alguém completamente desprovido de todas as características humanas.
Vazio e oco, preste a ser cheio por qualquer coisa.
Um filme qualquer, uma piada de mau gosto.
Ou qualquer barulho que não me deixe sozinho.
Estou fora de mim, mas sinto tudo e tudo que não é bom.
Quero buscar um fim, mas não sei onde ele está.
Talvez saiba, mas não tenho coragem.
Existem horas que a mais bela canção é insossa.
O sol é só gás, o quadro é apenas um objeto.
Criança é só um adulto que vai crescer
E por fim escrever algo parecido com isso.
E se for assim não valerá apena.
Talvez seja melhor voar pela janela, do que um dia fazer outro voar.
As lágrimas são para fingir e buscar piedade
O sorriso para celebrar o crime perfeito.
A lealdade a mim mesmo, o amor a nada e o prazer a qualquer preço…
Humanos!?
outubro 14, 2009 No Comments
Vilarejo
Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê.
Quantas pregações já ouvi a respeito deste versículo? Quantas aplicações e análises a seu respeito. Quantas interpretações (fundas, rasas, mas sempre interpretações)? Não sei. Nem me disponho a querer discorrer sobre os fatores que levaram á composição do verso, mas me arrisco a senti-lo, visto que o mesmo sempre despenca, escrito e jogado, batendo em mim de formas diferentes e voltando por meio de expressões surpreendentes. Hoje pela manhã, bateu e voltou assim:
Olhando a foto em que meu pai posava para a câmera de minha irmã, entrando na porta da casa onde nasceu… eu chorei.
Casa de barro seco, sem luz, globo ou qualquer coisa dessas modernas. Minha linhagem é de homens fortes que sobrevivem desde o sertão até São Paulo. Como pode? Sem nunca ter andado por tais bandas minha alma cheira à terra seca, a barro e à água gelada. É como seu eu já tivesse corrido por ali. O carvão queimado no canto, o chão rachado… A mulher na porta quebrando pedras provavelmente seria minha mãe ou irmã, são duas horas da tarde e não há um cheiro, uma sombra, uma nuvem, simplesmente nada.
Nada ficou pra trás, nem as cercas que pararam de “arrodear” o gado magro e passaram a aprisionar as saudades de um alguém comum, que como tantos outros, um dia volta pro seu lugar, pra sua terra, pra lembrar daquilo que nem por Homens, nem por deuses se pode ou se deve esquecer.
Do sertanejo ao periférico, somos todos retirantes saudosistas de uma Nazaré qualquer, de uma pátria amada e esquecida, visitada pela doce lembrança de Jesus.
outubro 7, 2009 4 Comments
