Category — Economia
Ninguém ouve os Profetas
Texto de Alex Janderlan
Em dezembro de 2009 será realizado a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), em Copenhague – Dinamarca. Deve ser acordado um novo arranjo para o enfrentamento das mudanças climáticas. Esta Conferência é tratada como o grande marco definidor do futuro da raça humana. Analisando com extrema atenção, podemos chegar facilmente a essa conclusão.
Há mais de 100 anos, vemos o quanto a nossa geração vem alterando e destruindo o equilíbrio natural de nosso planeta, sendo que nos últimos 40 anos, esse problema só vem se agravando. Testemunhamos diversas espécies sendo extintas de forma aleatória e descriminadas, ocasionando desequilíbrios ambientais de magnitudes sem precedentes na história humana.
Fenômenos naturais que só ocorriam em outras partes do mundo estão batendo em nossa porta e nos fazem refletir como estamos tratando o nosso planeta. Nos manuais de meteorologia afirmava-se que era impossível a formação de furacões no Atlântico Sul, só que em março de 2004 eles tiveram que ser alterados, pois, pela primeira vez na história, o Brasil conheceu a verdadeira força de um furacão. Em 22 de abril de 2008, o sudeste brasileiro sentiu vibrações de 5,2 graus na escala Richter. Nossa sorte foi que esse tremor não durou mais que 10 segundos. Não devemos esquecer também, a desertificação da caatinga nordestina e o aquecimento acelerado da floresta Amazônica.
Há 17 anos atrás, na ECO-92, os lideres do mundo traçaram planos e estratégias para introduzirem a idéia de desenvolvimento sustentável, e modelos de crescimento econômico menos consumistas e mais adequados ao equilíbrio ecológico. Nesses 17 anos, os paises desenvolvidos pouco fizeram para o cumprimento das metas, alegando não poderem sacrificar seu crescimento econômico em favor do meio ambiente. E a cada dia a temperatura da terra sobe mais e mais. Sabemos que somos a única espécie do planeta que produz lixo aos milhões de toneladas. Continuamos queimando combustível fóssil, simplesmente para que os países produtores de petróleo que atuam em forma de cartel, faturem mais a cada ano, os mesmos países que definirão as diretrizes da matriz mundial de combustível. Até mesmo o nosso Brasil, que se gabava do biocombustível, depois de ter encontrado as maravilhosas reservas de petróleo do pré-sal, nem toca mais no assunto, combustíveis renováveis! Pra quê? “Vamos faturar com nosso petróleo”…
Estados Unidos e Europa, maiores poluidores da atmosfera se comprometem com medidas pífeas na redução da emissão de gás carbônico, e que só poderão atingir essas metas em 2050. A China com 1,4 bilhões de habitantes ainda usa carvão para manter suas fabricas em funcionamento! Sem falar na quantidade inimaginável de lixo e esgoto que são lançados ao mar diariamente.
Segue mais ou menos o que irá acontecer nos próximos anos, caso nada seja feito: Os países ricos continuarão emitindo gases na atmosfera com altos níveis de Co2, crescerão como sempre, economicamente, implicando e criando mais barreiras comerciais para os paises em desenvolvimento, a temperatura do globo se elevará mais ainda, o gelo dos pólos e dos Andes derreterão, o ciclo das chuvas será alterado, afetando gravemente a produção agrícola mundial. O mar terá o seu nível aumentado e cidades costeiras sumirão debaixo d’água. Os países pobres como sempre, sofrerão mais, e levas incontáveis de refugiados climáticos, baterão na porta dos países ricos fugindo da seca e da fome, os alimentos estarão hiper inflacionados, água potável será raridade em muitos lugares, florestas inteiras que levaram milhões de anos para se formarem, em questão de décadas se converterão em desertos.
Então, todos lamentarão por não terem dado a devida atenção aos profetas de nosso tempo, pessoas como Jacques Cousteau, Chico Mendes, Al Gore, Paul Watson, Marina Silva, Leonardo Boff e tantos outros que teimamos em chamar de loucos.
novembro 11, 2009 2 Comments
Colapso no sistema: Av. Paulista
Segundo a Wikipédia, a Av. Paulista:
“… é um dos logradouros mais importantes do município de São Paulo , a capital do estado homônimo. Considerada um dos principais centros financeiros da cidade, assim como também um dos seus pontos turísticos mais característicos, a avenida revela sua importância não só como pólo econômico, mas também como centralidade cultural e de entretenimento. Devido à grande quantidade de sedes de empresas, bancos, hotéis, Hospitais e instituições culturais, como o MASP, movimentam-se diariamente pela avenida Paulista milhares de pessoas oriundas de todas as regiões da cidade e de fora dela.”
A informação está correta, mas incompleta.
É impossível caminhar na Av. Paulista por cinco minutos sem encontrar um mendigo sujo, fedido, faminto e banguelo. Com sorte, não se tropeça nele. Mas ele precisa permanecer lá, para denunciar o colapso. Numa avenida “Considerada um dos principais centros financeiros da cidade”, tem gente miserável, pobre, sem teto, pedinte, com fome.
Uma vez, saindo da faculdade, minha esposa ofereceu um sanduíche para um deles. Ele respondeu: “Enfia no cú”. Como é de se imaginar, ela ficou arrasada. Mas achei a resposta dele coerente, uma vez que agiu por imitação: a sociedade sempre o manda fazer o mesmo com a sua dignidade. E ele deve ficar arrasado…
Deixa eu me corrigir. A informação na Wikipédia está completa, porque mendigos são invisíveis.
outubro 23, 2009 1 Comment
Colapso no sistema: relações de trabalho
As relações de trabalho, são, na verdade, relações de poder. Quem pode mais, manda mais, e quem pode menos, obedece. O teu chefe te manda fazer coisas que nunca imaginou fazer, e por isso, óbvio, não sabe nem por onde começar. Mas mesmo assim, te deu um prazo pra entregar o trabalho…hoje!
Isso não é exagero. Acontece nas melhores famílias, com mais freqüência, é claro, na família dos pobres.
O empregado se submete a todas as exigências do seu chefe porque precisa de um salário. Mesmo que esse chefe seja um louco, lunático, descontrolado, bipolar, etc. Ele precisa aprender a se relacionar com um chefe assim, e quando não aprende, acaba tendo um ataque cardíaco ou um acesso de raiva. Outra coisa que o empregado se submete, por causa de um salário, e não menos pior do que um chefe, é a horas de jornada de trabalho gratuitas (fora do expediente), acordar às 04h30 da manhã, pegar um ônibus lotado, e chegar em casa às 00h30, só o “caco”. De Domingo a Domingo.
Quando alguém vira chefe, geralmente esquece de onde veio, quem foi, ao que precisou se submeter, etc. Simplesmente assume a função de chefe, com todo orgulho por ser considerado superior aos outros. Sai da prateleira de baixo, direto para à vitrine. E os outros que antes eram meus colegas de sofrimento? Agora são meus empregados.
Respondemos sempre a instituição econômica chamada “capitalismo”, que foi corretamente complementada com o adjetivo “selvagem”. Mandar, ter um salário maior e ser considerado superior aos outros, está na frente da dignidade do empregado.
outubro 16, 2009 No Comments
Verde e vermelho

Jung Mo Sung – Adital
Uma das características do capitalismo e das empresas capitalistas é a capacidade de se adaptar aos novos valores da sociedade produzindo novos discursos, novos slogans, novas imagens e novos produtos. Mudar sempre e tudo o que for necessário para aumentar ou manter a acumulação do capital.
Quando a sociedade civil começou valorizar a ética e exigir posturas mais éticas das empresas, foram criados programas, cursos e discursos sobre ética nas empresas. Assim também, quando o problema do meio ambiente se tornou uma questão pública mundial, até empresas petrolíferas começaram fazer propaganda pelo mundo afora falando dos seus projetos de proteção ambiental. A preocupação (aparente ou real) pelo meio ambiente faz parte hoje do “cardápio” na geração de lucro das grandes empresas.
Os discursos genéricos pela preservação do meio ambiente estão sendo acompanhados cada vez mais pela criação e produção de “produtos verdes” (que inclui bens de consumo, máquinas, edifícios, alimentos etc.). Produtos que não agridem, ou prejudicam menos, o meio ambiente e a saúde dos consumidores e da população em geral. É a resposta das empresas frente a novas demandas dos consumidores e do aumento da consciência ecológica da sociedade. “Verde” está se tornando uma moda e agrega valor á mercadoria e à marca.
Contudo, não podemos nos esquecer que o mundo econômico pode se tornar completamente verde, mas isso não significará necessariamente que esse processo solucionará os problemas sociais, como a brutal desigualdade social e a pobreza. Edifícios e residências “verdes” podem ser construídos de modo ambientalmente correto, assim como celulares sofisticados “verdes” fabricados com materiais recicláveis e baterias não prejudiciais ao meio ambiente, alimentos produzidos organicamente, sem agrotóxicos e outros produtos químicos, e até Ferraris “verdes”, mas isso por si não acabará com a exclusão social e nem tirará da pobreza bilhões de pessoas espalhadas pelo mundo.
Eu não estou aqui desvalorizando a luta ambiental e a importância da produção de produtos verdes. Muito pelo contrário. O que eu quero chamar atenção é a capacidade do capitalismo enquanto sistema econômico-social e das empresas capitalistas de cooptarem as bandeiras e os valores dos movimentos sociais e os utilizarem para a manutenção do capitalismo e para maior acumulação do capital. E uma das formas atuais disso é o foco exclusivo na questão ambiental e no produto verde. Ao dar ênfase exclusiva à questão ecológica, tira da cena questões e problemas que o sistema capitalista não está interessado e nem tem muita capacidade de solucionar: o problema social.
É claro que precisamos preservar as condições ambientais que permitem a vida dos seres humanos e das outras espécies. Mas se nos deixarmos levar pela “armadilha” do sistema e reduzirmos a luta à questão ambiental, poderemos viver em um mundo cheio de produtos verdes, em um ambiente ecológico sustentável, cercados de centenas de milhões ou de bilhões de pessoas pobres excluídas desse consumo verde e das condições dignas de vida. [Read more →]
setembro 23, 2009 1 Comment
Eu acho que vi o Reino
Texto do Will, jovem da Betesda.
Em Mateus 6-33 Jesus nos fala “-Busquem pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas as demais coisas lhes serão acrescentadas”
Interessante por que ele diz isso logo após nos mostrar as bem-aventuranç as que são uma palhinha de quais valores deveríamos nos alimentar e busca-los até que esses façam parte de nós. E também após nos alertar de valores e ações pelas quais não devemos nos apegar, pois as mesmas não coincidem com os ensinamentos e a proposta de vida apresentada por Jesus. Aliás, particularmente os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus são o meu manual de vida.
Mas essa coisa de buscar o Reino, como é?
O Reino é algo a buscar-mos pra depois de morrer? Ou seria algo a buscar-mos trazer do céu pra cá? O Reino já não é aqui?
Esses dias eu vinha do serviço pela av.Berrini como de costume quando entrou um homem, com uma mochila bem grande, sujo e despenteado; E assim que ele pediu pra passar por baixo eu já desconfiava que fosse mais um desses pobres pedintes, então tirei um fone do ouvido e baixei um pouco o volume do celular onde eu escutava música, música, aliás, que a letra terá muito haver com esse momento, mas citarei logo à frente.
Eu tinha R$3,50 na minha mochila de moedas, que eu usaria para comprar pão e tomar café no dia seguinte, então pensei em pegar um real para ajudar o rapaz. Mas alguma coisa estava acontecendo ali e eu não conseguia saber o que era. Ele era sim mais um pobre andarilho pedinte, porém ele falava diferente do que vemos, sim foi educado como todos costumam ser, mas ele não tentou passar aquele “ar” de coitadinho, foi breve e direto. [Read more →]
setembro 15, 2009 4 Comments
Colapso no sistema: O cristão alienado.
Lucas, me desculpe por tomar emprestado seu tema. É que você provocou em mim uma grande inquietação, quanto nossas atitudes, como sociedade humana e comunidade cristã. Gostaria que toda a galera envolvida nesse blog também se empenhasse nesse assunto.
Até quando vamos assistir calados, nossa falência como seres humanos?
O sistema sempre estará fadado ao fracasso, quando acharmos normal a Nike pagar bilhões de dólares, para Tiger Woods, Ronaldo, Pete Sampras e outros outdoors ambulantes, a custa de trabalho escravo infantil.
Em quanto houver nações protestantes empreendendo guerras e ironicamente seus lideres nos disserem, que é em nome da paz e de Deus, e nós acreditarmos, com certeza estaremos caminhando para o fim.
Não podemos aceitar as inversões de valores, como policiais corruptos, pois quem é pago para garantir a lei não pode violá-la. Pastores mentindo, missionários enriquecendo.
É inadmissível ter laboratórios multinacionais testando suas drogas em populações carente da África.
Como podemos aceitar que líderes religiosos multimilionários ostentarem seus bens adquiridos no mercado da fé, enquanto milhares de crianças irão dormir hoje sem ter feito uma única refeição, algumas não irão acordar. É nós sabendo disso, teremos um sono sem remorso?
Esse sistema realmente deve estar doente pois, a obesidade está tornando a população do nosso país, a população dos EUA, em bebes gigantes, e o planeta todo segue sendo deteriorado, é a denuncia da animação da Pixar(Disney), Wall-E, as pessoas assistem acham bonitinho e não refletem.
Os condomínios se espalham por todos os lugares muros altos, segurança, árvore para cada membro da família, e nossas praças públicas entregue as drogas, favelas e barracos se empilhando em barrancos, a espera do próximo temporal, para assim os bombeiros vasculharem o barro e contar os mortos. E nós sentados a frente da TV assistindo o telejornal apenas com um semblante sereno, chega a hora da nojenta novela e já esquecemos tudo. [Read more →]
setembro 14, 2009 2 Comments
Colapso no sistema: Av. Roberto Marinho
Estava indo para a casa de um amigo, para uma visita. O caminho me obrigava a passar pela Av. Roberto Marinho, conhecida como “a milionária do Maluf”.
Como não estava dirigindo, o que é raro, consegui prestar mais atenção na avenida, e naquilo que a cerca. Descobri, por exemplo, que existe um córrego que a atravessa durante toda a sua extensão. E também notei que existem alguns moradores na margem do córrego. Eles vivem lá, no pequeno espaço de grama existente.
Enquanto estava passando e vendo aquela cena, pensei: “será que só eu estou vendo eles aqui? Por que ninguém faz nada? Cadê o prefeito?” Como o Jorge Ben diria: “Eu vou chamar o síndico: Tim Maia!”
Como que a cidade mais rica desse país permite isso? Onde está o bom senso dos cidadãos paulistas?
Bem na frente da casa desses marginais, existe um Mc Donald’s. Quantas vezes comi lá! E nunca tinha visto os moradores da frente! Eles eram invisíveis!
Acho que é por isso que os cidadãos paulistas, o prefeito e o síndico não fazem nada: porque eles são invisíveis, fazem parte da paisagem. Uma paisagem doente, podre e opressora. Bem vindo a São Paulo!
setembro 9, 2009 3 Comments
Colapso no sistema: O sinal de Paraisópolis

Depois que me casei, mudei para o bairro Vila Andrade, vizinho ao Paraisópolis e ao Morumbi. É por lá que pratico os meus treinos diários de corrida.
Meu último treino foi diferente. Do alto da Av. Giovanni Gronchi, avistei, com nitidez, a imensa favela com mais de 100 mil habitantes: Paraisópolis.
Toda favela é um escândalo. Mas, Paraisópolis, é um caso especialmente escandaloso. Ela é vizinha de um dos bairros mais ricos de São Paulo: o Morumbi. O contraste é tão ridículo, que chega a dar nojo. Chega a dar vertigem. Ela lembra o escândalo da cruz de Jesus.
Paraisópolis sinaliza a miséria humana, não de quem vive lá, mas exatamente o contrário, de quem não vive. Me senti um ridículo miserável, adoecido e indigno.
Sinaliza um sistema em colapso, hipócrita, cínico, egoísta, hedonista, indiferente e opressor. Esse é o conceito mais pleno de “diabo”.
setembro 4, 2009 5 Comments
