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Category — Espiritualidade

Sobre ferrolhos

Dentre os muitos ensinamentos contidos nos Provérbios de Salomão, existe um que me chama a atenção por falar nos ferrolhos.

“O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos dum palácio” (Pv 18.19).

Quando assisti o filme “O Senhor dos Anéis: As duas Torres”, lembrei-me imediatamente do provérbio acima. As cidades, que também eram fortalezas, só eram tomadas à força. A energia e o grande número de guerreiros mobilizados nas incursões era algo absurdamente descomunal. Agora, imagine eu ou você tendo que empregar tamanha força para reconquistar um irmão ou um amigo ofendido…!

Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram. O outro, ofendido, sem nada a dizer, escreveu na areia: hoje, meu melhor amigo me bateu no rosto. Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra: hoje, meu melhor amigo salvou-me a vida. Intrigado, o amigo perguntou: Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora escreveu na pedra? Sorrindo, o outro amigo respondeu: Quando um grande amigo nos ofende, deveremos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar; porém quando nos faz algo grandioso, deveremos gravar na pedra da memória do coração, onde vento nenhum do mundo poderá apagar!

É… Essa lenda anotei na minha agenda alguns dias depois que um amigo me disse que eu era um peso na vida dele. Mas nem sempre os irmãos ofendidos estão dispostos a abrirem os ferrolhos de seus palácios. E o que fazer nesses trechos da estrada? Deixar-se levar pela lógica de que “a vida sempre foi um perde-ganha, quem não bate apanha; e isso é natural”? Ou fazer como aquele pai , que esperava o filho que se foi levando parte dos bens da família, e ao avistá-lo ainda quando estava longe, se moveu de íntima compaixão, correu ao seu encontro e o abraçou e o beijou?

Tenho procurado abrir os muitos ferrolhos do meu palácio. Confesso que não é uma coisa fácil de se fazer. É algo doloroso de imediato. Mas que ao abrir da porta torna-se libertador!

Abração a todos!

Wendel Cavalcante

http://www.ultimato.com.br/?pg=mural&local=mural_show&util=1&registro=1044

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fevereiro 3, 2010   1 Comment

Emaús fica ali bem perto!

Uma das últimas narrativas encontradas no Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas é a viagem de dois discípulos de Jerusalém à Emaús.
O contexto tod@s nós já sabemos: Jesus havia sido crucificado e já eram passados três dias desde a sua morte. A esperança estava perdida. A tão sonhada libertação da opressão do Império Romano não mais aconteceria.
Raboni, então, ressussita, aparece para seus amigos e discípulos e reaquece a chama da esperança deles!
Mas gostaria de chamar a sua atenção para um detalhe: a narrativa de São Lucas mostra que dois de seus discípulos retornaram para o povoado onde moravam. Acabada a esperança, disseram um para o outro, imagino: “Emaús fica ali bem perto. Vamos voltar para lá, então!”
Aqui pergunto a você: não é essa a nossa primeira reação quando nos deparamos com uma grande frustração que acaba com nossa esperança?
Como curioso que sou, fui buscar o significa da palavra “Emaús”. Para minha surpresa, me deparei, então, com alguns significados: “fonte ou águas quentes”; “águas termais”; “banho quente”. Mas teve um que chamou minha atenção: “Emaús” significa “busca de conselho”.
E foi aqui que percebi uma grande lição contida nessa narrativa: Raboni se aproxima da gente, nos ouve com paciência, pergunta o que nos aflige e nos dá o bom conselho no caminho!
Quanto a partir o pão, Ele está sempre disposto a fazê-lo. Basta que você o convide, a exemplo dos dois discípulos que caminhavam com Ele na estrada que ligava Jerusalém a Emaús e tão bem musicou o poeta Antonio Rivera:

“Fica Senhor, já se faz tarde
Tens meu coração para pousar
Faz em mim morada permanente
Fica Senhor, fica Senhor, meu Salvador”

E que em 2010 sejam renovados na sua vida a Fé, a Esperança e o Amor!

Abração a tod@s!

Wendel Cavalcante

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fevereiro 1, 2010   1 Comment

QUAL NATAL?

Qual o significado do natal para você?

Será que se resume a um evento pontual de harmonia, porém, para um único dia? Ou, está mais para uma reunião entre familiares e amigos que irão comer e beber muito e, trocar presentes?
A nossa sociedade é motivada pela cultura ocidental a qual está inserida e, conseqüentemente, consumista e individualista. Motivada pela busca de interesses para o seu próprio prazer. Fazer o bem para o outro tem sido cada dia mais motivado para autopromoção ou para tirar o peso da consciência da obrigação, de fazer algo que lhe é devido, como penitência. Para muitos fazer o bem pelo bem não tem o menor sentido. Para estes há necessidade de algo em troca, de algum bem ou de favores.
Milhões de pessoas “mortas” e sem expectativa de vida, sobrevivendo dos restos que a ninguém interessa a não ser a estes que não tem escolha. Pregadores prometendo uma vida melhor no futuro e, ignorando uma realidade que se finge não se ver. O resultado disso tudo com conseqüências desastrosas. Pois, uma parcela significativa da população está descrente e desesperançosa, não necessariamente de deus, porém, na forma do deus que tem sido apresentado. Um deus distante e indiferente á sua dor e ao seu sofrimento, que exige sacrifícios para alcançar alguma graça.
Diante disso, precisamos que nosso natal tenha o significado que lhe é próprio: o nascimento de um menino, um menino especial. Que demonstrou a possibilidade de lutarmos contra nossa cultura corrompida que, ironicamente, se diz cristã.
Necessitamos apresentar o Deus cristão que se encarnou, em um lar simples de pessoas simples e humildes. Pessoas que, mesmo sem entender no primeiro momento, depositaram suas esperanças em um menino mal compreendido, porém, cheio de um espírito que podemos dizer, ímpar.
“ele é a eterna criança, o Deus que faltava.
ele é o humano que é natural,
ele é o divino que sorri e que brinca.
e por isso é que eu sei com toda a certeza
que ele é o menino Jesus verdadeiro” Fernando Pessoa


A fragilidade deste menino que não teve pai, pois, José que era carpinteiro
não era pai dele e a sua mãe nunca havia amado antes de tê-lo concebido. Apesar disso, diante de um destino que, aparentemente, estava traçado para ser infeliz, não se resignou com isso. Pregou a bondade e o respeito pelo outro. Cresceu e nunca se cansou de lutar pela causa do o pobre, do moribundo e do injustiçado. E, esteve sempre junto, dando esperança e anunciado o reino de Deus como prática de vida, mesmo sabendo que, agindo assim, seu destino fosse à morte de cruz.
Nosso Natal precisa ser diferente. Os Jovens Betesda quer contar com você.
Qual natal você quer celebrar?

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janeiro 18, 2010   No Comments

Nasceu Jesus

Faltava conhecimento
Nasceu a verdade
O divino encarnado
A ciência nunca ira vê

O caos era o mundo
Nasceu a harmonia
Vida reformulada
Ambos tiveram sentido
 
Na terra da morte
Nasceu a vida
Aos mortos houve guarida
À vida encontrou finalidade

Em extremo desespero
Nasceu a esperança
Homens festejando
Os dois fizeram parte da criança

Do futuro os magos falavam
Nasceu o destino
O aleatório tornou-se lindo
Os magos o presentearam

Ainda em trevas
Nasceu a luz
O mundo se desviava
O norte foi uma cruz

Entre os malvados
Nasceu o amor
O mal foi destacado
E logo conheceu o terror
 
Em tempos de guerra
Nasceu a paz
Foi rejeitado na terra
Coexistir ainda é incapaz
 
Os deuses eram esperados
Nasceu o menino
Logo foi discriminado
E todos conheceram o divino

No lugar em que nasceu
Foi lá que viveu
Próximo d’ali morreu
Mas depois reviveu

Jessé Soares

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dezembro 21, 2009   No Comments

Tempo para tudo

Para tudo há um tempo

Tempo de nascer e viver

E vivendo viva com dignidade

Tempo de crescer e criar responsabilidades

O tempo de falar a verdade é o tempo todo

Tempo de deixar de ser peso morto e de ser a mesmas pessoas de anos atrás

Tempo de evoluir, mudar ás reclamações, abandonar falhas antigas.

Tempo de descobrir á vida como algo sério

Tempo de agir como se Deus realmente existe

Tempo de descobrir que o fazemos não está encoberto, existe desdobramentos eterno

Tempo de enxergar que o hoje já é parte da eternidade, por isso não a comprometa

Há tempo de cantar, dançar e até falar bobagem e agora não é esse tempo

Tempo de assistir filme

Tempo de deitar e descansar

Tempo de se levantar fazer algo pelo próximo

Tempo de trabalhar e pagar suas próprias contas

Tempo de amar e deixar ser amado

Tempo de confiar

Tempo de confessar

Tempo de ser exortado

Tempo de exortar

Tempo de olhar as estrelas, ouvir o sabiá e escrever uma musica

Viva cada fase de sua vida com intensidade e sinceridade

Dando a cada momento seu devido tempo

E se para tudo há um tempo

Tem também o tempo de morrer

E morrendo morra com dignidade

  

JESSÉ

 

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dezembro 16, 2009   No Comments

A vida no coração do mundo

O sábio não tem coração estreito;

Inclui no seu coração os corações dos outros.

Ele é bom com os bons

E bom também com os não-bons,

Porque sua íntima atitude

Só lhe permite ser bom.

Ele é honesto com os honestos

E honesto também com os desonestos,

Porque seu íntimo ser só lhe permite

Ser honesto com todos.

Ele vive retirado,

Mas a sua vida está aberta de par em par

A todos os homens.

Os olhos e os ouvidos dos homens

Se voltam para ele, estupefatos –

Ele vê seus filhos em todos.

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dezembro 14, 2009   No Comments

O Céu e o inferno

Escrito por William Borges Romanini

 

Encontrava-me indo para o serviço logo cedo, por volta das 7h da manhã, dentro do trem – aquele trem vazio que o povo de São Paulo é obrigado a pegar para ir trabalhar – quando reparei numa pessoa se contorcendo para conseguir ler um jornal, onde a capa estampava a notícia: “Protesto contra governador evangélico continua”.

Quando me deparo com este tipo de situação, começam vir palavras, essas formam frases, e posteriormente pensamentos inteiros. Minha mente protestante, crítica, e meio louca insiste em falar: “- escreve isso”. E cá estou escrevendo.

Talvez escrever sobre isso nem valha a pena, talvez nem sirva pra nada, talvez sirva mesmo só pra eu olhar esse texto daqui a um tempo e ver “quanta besteira eu escrevi”.

Mas de momento é uma forma de gravar um desabafo que cansa cada vez mais, quando vejo e escuto essas coisas.

Fato é que cada vez mais aparecem escândalos envolvendo os “ungidos” do Senhor, esses detentores da verdade única, conhecedores da forma de serem salvos, esses mesmos que deveriam ser o sal da terra, luz para o mundo, etc. Seria isso um sinal apocalíptico do fim dos tempos? 2012 está logo aí. Será que Jesus está voltando?

Creio que ele nem foi, que está sempre conosco, mas isso deixa pra lá, o assunto aqui é outro.

Vamos entrar no tópico principal. Ultimamente tenho conversado sobre o nosso suposto destino eterno, sobre céu e inferno, ou seja, coisas que crente normalmente conversa. Alguma vez cheguei a dar umas declarações que podem chocar os mais conservadores, mas não é falar o que importa, mas sim o como falar. Aprendi isso a pouco.

De acordo com o linguajar “crentês popular”, para garantir sua passagem para o céu e viver eternamente no paraíso, basta reconhecer, dizer em voz alta que o “Senhor é meu único salvador”. Que somente obras não levam ninguém para o céu, e sim condenam ao inferno – aquele mesmo criado por Dante, o do fogo eterno, lago de enxofre e um ser vermelho com chifrinhos o espetando. Bem criativo, porém contraditório quando nos deparamos com a realidade vivida nos dias de hoje.

Com toda certeza, se nos perguntarmos para onde queremos ir, a resposta será o céu, lógico. Mas eu me atrevi a escolher o inferno. Não esse do enxofre, claro que não, também não sou tão besta assim. Escolhi aquele inferno onde está Gandhi, Madre Tereza, e um punhado de pessoas assim, aquele inferno onde não vou encontrar esses políticos evangélicos, pois os mesmo já levantaram a mão e supostamente estarão em outro lugar – seguindo essa lógica.

Tal afirmação minha pode ser forte: “nossa!, um crente que quer ir para o inferno”. Sim, é isso mesmo – se usar essa lógica.

Mas no fundo não acredito nessa lógica, essa mesma na minha visão foi criada por homens. Como muitas outras “coisas” que hoje são tidas como vontade de Deus, o Soberano, Criador, Pai amoroso, mas que pra mim são pensamentos humanos, criados da estrutura nossa, que é pó, e assim sujeita a falhas. Talvez nem falha, mas um ponto de vista apenas.

Jesus nos fala, “quem não está em mim já está em trevas!”. Creio que Jesus não está se referindo á um destino pós morte, pois o verbo está no presente, e que esse estar Nele também não seja um cunho religioso – mas sou pó e sujeito a falhas.

Agora eu pergunto, será que esses políticos conseguem dormir em paz? Será que eles sentem aquela paz de Deus, provida de saber que não está devendo nada, saber que não está sacaneando? Aquela paz onde você se olha por dentro e não vê sujeira? Aquela paz onde você olha pra Deus e diz Senhor eis-me aqui? Será?

Você pode até falar assim: – “Mas com esse tipo de trevas até eu conviveria fácil”! Agora usando a psicologia inversa, com pontos diferentes, eu digo:

- Naquele inferno onde há pessoas não Cristãs por religião, mas por ter abraçado o ideal, a causa, a virtude, o espírito de Jesus… Ah! nesse eu viveria fácil, muito fácil!

 

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dezembro 11, 2009   1 Comment

Matar ou deixar viver?

Lao-Tsé

Alguns são assaz corajosos
Para terem a coragem de matar.
Outros são assaz corajosos
Para parecerem covardes
E terem coragem de conservar a vida.
Matar ou deixar viver –
Tanto isto como aquilo por vezes considerado mau.
Quem ousaria dizer
Qual o critério das potências eternas?
Nem o sábio sabe,
E, na dúvida, entrega tudo
Ao Tao Infinito,
Mas o Infinito se revela assim:
Ele prevalece – sem violência.
Ele dá ordem – sem comando.
Ele atrai – sem se impor.
Atua com finalidade – mas sem interesse.
É uma rede de malhas largas,
Mas nada lhe escapa.

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novembro 27, 2009   No Comments

Amar

André Comte-Sponville

“Estar apaixonado é um estado”, dizia Denis de Rougement; “amar, um ato”. O casal, quando o amor sobrevive à coabitação, quando nela cresce, permite que passemos deste estado (o amor-paixão: aquele que sofremos) para esse ato (o amor-ação: aquele que fazemos, cultivamos, assumimos). É preciso ser bem jovem ou bem ignorante para não ver nisso um progresso. Estar apaixonado é sentir falta de alguém: I need you; te quiero… Amar é não sentir falta de nada: é fruir e regozijar-se de uma presença, de uma existência, de um amor. Cuidado, contudo, para, entre esses dois pólos, não absolutizar a diferença.  Não há nada mais relativo, nada mais flutuante que nossas histórias de amor. Por força de nossa finitude, há sempre uma falta em nós, sempre paixão ou passividade, sempre dependência, sempre uma criancinha que busca um seio ou um amor. E quase sempre bastante força ou alegria para dá-lo, ao menos um pouco. “A criança só sabe pegar”, dizia Svâmi Prajnânpad, “é o adulto que dá”. Isso pelo menos indica o caminho. Comumente, começamos por amar aquele ou aquela que não temos, que nos falta, que gostaríamos de possuir e conservar; depois aprendemos a nos regozijar, no melhor dos casos, com o que ninguém jamais possuirá, que é a existência do outro, a liberdade do outro, o amor do outro… O casal não é o contrário da solidão: é um modo de vivê-la juntos, sem negá-la ou renegá-la, sem aboli-la ou traí-la. “Na medida em que somos sós”, escrevia Rilke, “o amor e a morte se aproximam”. Também a solidão e o amor, na medida – sempre finita – em que vivemos.

Que tudo isso começa na sexualidade – no mais obscuro do homem e da mulher, no mais animal, no mais bestial, e nem por isso menos humano – é o que ninguém ignora e que constitui como que um prazer a mais, que nos fascina, que nos assusta, que nos move e nos comove. Maravilhosa obscenidade dos corpos. Alegre repetitividade do desejo. Perturbadora intimidade das carícias. Esplendor da volúpia. E tanta violência, e tanta doçura, e tanta ternura! Poder de fruir. Poder de se regozijar. O sexo é uma noite e um sol. O amor – quando amor há – é sua luz e seu repouso.

Eu te amo: preciso de ti e de teu amor, de teu corpo e de teu sorriso, de teu olhar e de tua paz. Para ser feliz? Sim, quando possível. E, para suportar não sê-lo, quando a felicidade falta.  

 

André Comte-Sponville
A vida humana
Capítulo V – Amar
WMF Martins Fontes

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novembro 25, 2009   1 Comment

Um diálogo: eu e a cruz

Cruz você é testemunha do maior incidente da historia. Não só testemunha mais personagem importante. Você já foi um carvalho, arvore bela dos bosques da palestina, quem sabe um vegetal solitário na beira de um caminho, serviu talvez de sombra para os viajantes das estradas empoeiradas do oriente.
Quem foi que te derrubou?

O lenhador te preparou para ser um dos piores equipamentos de tortura. Que mudança, ó cruz! Antes purificava nosso ar agora acabas com vidas, e o pior aos poucos submetendo o condenado a estremo sofrimento. Quantos corpos foram deitados sobre ti? Quantos sangues mancharam tuas vigas, quantos gemidos você ouviu?

Talvez não de muitos, apenas de um homem e tu sabes que esse homem não merecia, ele era simplesmente justo, defendeu prostitutas e as perdoou, preocupou-se com leprosos e os sarou, alimentou multidões com pão, revoltou-se contra às injustiças, não poupou os religiosos legalistas. Ele era Deus em forma de gente caminhando entre nós. Ele era Jesus, homem Deus, ou seja, o amor de Deus disfarçado de homem caminhando entre as minorias da palestina. E tu ó cruz não o poupaste.

Após ele passar por vários julgamentos foi condenado de forma injusta, deram trinta e nove chicotadas e rasgaram sua costa, espancaram e colocaram sobre sua cabeça uma coroa de espinho, perfurando e rasgando sua testa. Jogaram você ó cruz sobre seus ombros, e ele te levou humilhantemente até um monte chamado Calvário.

Foste tu que acompanhaste cada segundo, das horas em que ele ficou pendurado sobre ti, como um troféu ao império e a religião da época, vocês foram levantados no auto do morro. Ainda assim ele perdoou seus torturadores e assassinos, salvou até um terrorista que estava sendo crucificado em seu lado. Sabe por que esse terrorista foi salvo, ó cruz? Mesmo Jesus estando naquela situação moribunda ele conseguiu ver que Cristo é rei.

Cruz eu não tenho raiva ou ódio de você, você não é a culpada, eu sim, pois sou pecador.
Cruz eu só tenho é que agradecer-te, pois tu és o conduite para a salvação de pecadores como eu.
Cruz hoje você é nosso símbolo maior, não existe salvação sem você, ó cruz de Cristo.
Cruz esse homem não é importante porque dividiu a historia em duas.
Ou porque os feridos que o procuram são curados e ressuscita morto.
Mas à diferença dele é que ele tem poder de perdoar pecados, mudar o caráter do ser humano.
Sabe cruz ele ressuscitou.

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novembro 16, 2009   No Comments