Category — Poemas e poesias
O velho e a flor
Vinicius de Moraes
Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.
Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:
O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.
dezembro 23, 2009 No Comments
Nasceu Jesus
Faltava conhecimento
Nasceu a verdade
O divino encarnado
A ciência nunca ira vê
O caos era o mundo
Nasceu a harmonia
Vida reformulada
Ambos tiveram sentido
Na terra da morte
Nasceu a vida
Aos mortos houve guarida
À vida encontrou finalidade
Em extremo desespero
Nasceu a esperança
Homens festejando
Os dois fizeram parte da criança
Do futuro os magos falavam
Nasceu o destino
O aleatório tornou-se lindo
Os magos o presentearam
Ainda em trevas
Nasceu a luz
O mundo se desviava
O norte foi uma cruz
Entre os malvados
Nasceu o amor
O mal foi destacado
E logo conheceu o terror
Em tempos de guerra
Nasceu a paz
Foi rejeitado na terra
Coexistir ainda é incapaz
Os deuses eram esperados
Nasceu o menino
Logo foi discriminado
E todos conheceram o divino
No lugar em que nasceu
Foi lá que viveu
Próximo d’ali morreu
Mas depois reviveu
Jessé Soares
dezembro 21, 2009 No Comments
A vida no coração do mundo
O sábio não tem coração estreito;
Inclui no seu coração os corações dos outros.
Ele é bom com os bons
E bom também com os não-bons,
Porque sua íntima atitude
Só lhe permite ser bom.
Ele é honesto com os honestos
E honesto também com os desonestos,
Porque seu íntimo ser só lhe permite
Ser honesto com todos.
Ele vive retirado,
Mas a sua vida está aberta de par em par
A todos os homens.
Os olhos e os ouvidos dos homens
Se voltam para ele, estupefatos –
Ele vê seus filhos em todos.
dezembro 14, 2009 No Comments
Meus Dedos
Meus dedos às vezes me surpreendem.
Fico cheio deles quando me sinto intocável.
Quando o ver e o julgar são meus e não de alguém
Meto os dedos pelos olhos de outrem: atitude abominável.
Dedos que, quando curvados, somam-se ao punho cerrado
E cedem ao capricho traiçoeiro e incontrolável
De empreender força e poder, num gesto obcecado.
Dedos que quando confabulam por vezes me traem.
Querem para si, o dom do rei Midas – mito ou realidade? Não importa.
O fato é que Baco, com pesar, consentiu o desejo do pobre homem.
E o poder do toque de ouro, prosperidade tola, escolha torta
Logo trouxe ao monarca horror, desespero, aflição.
E aí meus dedos viraram-se para mim, abrindo assim a porta
Dizendo: é tudo efêmero, passageiro, vão. Queres morrer de inanição?
Dedos justapostos, gesto de reverência, fragilidade,
[contrição.
Dedos entrelaçados que retardam o agir,
[procrastinação.
Dedos que insistem em não se encolher
Apesar da dor dos anéis que se foram e dos que ainda se vão,
[não temer.
Indicadores e médios estalados: som, ritmo e cadência.
Mindinhos que não se dobram sem os anulares:
Força da dependência ou poder natural da influência?
Dedos presentes até na promessa escoteira
Indicador, médio e anular nos lembram, como uma flor de lis
O compromisso para com Deus e a Pátria brasileira,
Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, assim o promessado diz.
Dedos que individualmente nos ensinam também na lida.
Polegar que funciona como termômetro da vida:
Para baixo: tô fraco, devagar, negativo, sem futuro, vaia em “u”;
Para cima: beleza, legal, positivo, pode crer, tudo azul!
Médio que quando altivo oprime toda mão,
Torna-se feio, grosso, mal educado, inconveniente, torpe palavrão.
É cascudo violento, bronca, malvadeza, tolice, esforço em vão.
Indicador em riste é dono da verdade, todo orgulhoso.
Tem mínimo, anular e médio como antítese incontestável;
Obriga o polegar a colocar alguém como mentiroso.
O anular, onde ordinariamente encontra-se algum anel,
Quer seja de formatura, compromisso, aliança, tucum,
Insiste em nos perguntar, às vezes, com gosto de fel:
Ei, psiu! Por ventura esquecestes que és tu?
O mindinho é completude, virtude, simplicidade!
O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, mecânico, torneiro
Não pode fazer conchinha nem coçar o ouvido, verdade!
Não parou com a prensa que a vida lhe deu, em frente, companheiro!
Até Baden Powell, na África, aprendeu essa lição de amizade:
Sela o aperto de mão esquerda, do lado do coração do guerreiro
Que baixa o escudo em reconhecimento, confiança, sinceridade!
Dedos meus com os quais sempre converso
Ponta com ponta: polegares no queixo, indicadores sobre o nariz,
Reflexões tamanhas, pensamentos e enredos em prosa e verso
É como pondera, às vezes ligeiro, outras sem pressa, o eterno aprendiz.
E assim seguem os dez dedos meus.
Partes contidas no todo desse humano corpo:
Morada do Espírito, Templo de Deus.
Abração a Tod@s!
Wendel Cavalcante
dezembro 2, 2009 2 Comments
QUEM SOU EU?
Quem sou eu?
Uma voz ou um sussurro
Talvez um diálogo ou ainda um monólogo
Será um vilão ou um herói
Não sei se sou paz ou se sou guerra
Uma comedia ou um drama
Uma parte de mim diz sim
Outra diz não
Às vezes viajo
Outras vezes fico estacionado
Iludo-me para em seguida ser desiludido
Já ansiei a vida hoje aspiro à morte
Não sou pessimista e nem tenho esperança
Meu Deus quem sou eu?
Que oscila entre
A verdade e mentira
O santo e profano
O gênio e o medíocre
O bem e o mal
O altruísta e o egoísta
O amor e o ódio
A alegria e a tristeza
Houve dia que tive Deus
Hoje parece que tenho o inferno
Já sonhei e agora vivo a realidade
Que é simplesmente um pesadelo
Tenho saudade
Mas não perdi nada e nem ninguém
Já sei
Perdi a mim mesmo
Meu Deus!
Acho que sou a contradição
Afinal quem sou eu?
novembro 30, 2009 1 Comment
Matar ou deixar viver?
Lao-Tsé
Alguns são assaz corajosos
Para terem a coragem de matar.
Outros são assaz corajosos
Para parecerem covardes
E terem coragem de conservar a vida.
Matar ou deixar viver –
Tanto isto como aquilo por vezes considerado mau.
Quem ousaria dizer
Qual o critério das potências eternas?
Nem o sábio sabe,
E, na dúvida, entrega tudo
Ao Tao Infinito,
Mas o Infinito se revela assim:
Ele prevalece – sem violência.
Ele dá ordem – sem comando.
Ele atrai – sem se impor.
Atua com finalidade – mas sem interesse.
É uma rede de malhas largas,
Mas nada lhe escapa.
novembro 27, 2009 No Comments
Dias de manhã
novembro 25, 2009 3 Comments
Meu Pequeno Lírio Branco
Poema que dedico a Sayuri, a extensão da minh’alma.

Imagem extraída do site: http://br.olhares.com/lirio_branco_foto385533.html
Vai nascendo a esperança
Despontando no horizonte do Oriente
Brotará nos corações a virtude do amor
Pequena, que afeiçoa a lembrança
A surgir em terras campestres
Simples, colorindo a velha estrada
Transformará os olhos na magia da paixão
Bela, que revela as mãos do Mestre
Vem atraindo joaninhas e sabiás
A sintonia da natureza em sinfonia
Inspirará ao mais sábio trovador
Encantadora, que lindo canto nos lábios traz
No cativar da luz da aurora
Com suave aroma invade
Enobrecerá as pétalas da história
Princesa, que perfuma a imensa flora
Descansando nos vales da vida
É o refrigério chegando da fonte
Repousará no colo das águas
Serena, que a brisa da alma abriga
A semear nas trilhas sombrias
Se multiplicando noutros jardins
Cultivará no crescente fértil da terra
Amiga, que a seiva traz as companhias
Do profundo silêncio das matas emana
Um ressoar que assola a quietude e solidão:
Lírio Branco, floresce em mim
Filha minha, doce e terna Polyana
novembro 23, 2009 No Comments
Sonhar
Sonhar Sozinho no meu silencio
Tento pensar.
Organizar idéias que são muitas.
Às vezes até penso que são infinitas.
Mas quando quero não acho nenhuma
Evaporou.
Da mesma forma que apareceu
Sumiu.
Sou teimoso e insisto forçando o raciocínio.
Lá no fundo aparece uma e outra.
Mas é muito difícil de identificar quem é quem.
Está tudo misturado,
Embaçado como a nevoa.
Parecia tudo tão fácil
Estava ali
Quando pego papel e caneta
Cadê?
Como é ser um sonhador?
Como é ser um amante?
Como é ser um poeta?
Eu não sei
Sei que é um dom.
Nasce com você
É privilegio de poucos.
Sei que não é o meu caso
Eu apenas aspiro
Admiro e às vezes até sonho.
novembro 21, 2009 1 Comment
Peso Inverso
Texto de Heber Emerich
Vivemos num mundo onde respeito virou ofensa, (já experimentou chamar uma mulher de senhora?)
Declaração de sentimentos ficou brega,
Palavras com os mais poderosos significados, transformaram-se em chavões sem valor,
Expressões carregadas de verdades, hoje são clichês.
Tudo depende, tudo é relativo,
Amor é utopia, felicidade é inalcançável,
Tomar posição ou ter opinião é burrice,
Paixões são fraquezas, e fraquezas são mal vistas.
Valoriza-se a pessoa pelo preço dos bens que ela possuí.
A informação é tendenciosa, manipulada, manipuladora, duvidosa e traz dúvidas,
Num grupo ou em alguém, só há maldade, ou, só a bondade, dependendo de quem está observando.
Ideologia é estupidez, paz é guerra, conhecimento é inútil, critica é chatice.
Arte é qualquer coisa, bunda é instrumento musical,
E Deus, virou religião.
[hebER]
novembro 18, 2009 No Comments
