Category — Poemas e poesias
Sapiência Suprema
Lao-Tsé
Inteligente é quem outros conhece;
Sapiente é quem se conhece a si mesmo.
Forte é quem outros vence;
Poderoso é quem se domina a si mesmo.
Ativo é quem muito trabalha;
Rico é quem vive contente.
Firme é quem vive em seu posto,
Eterno é quem supera a morte.
novembro 13, 2009 No Comments
Ausência da minha ausência
Quando tudo o que era ausente se fez presente
O presente se confundiu entre passado, futuro e surpresa
Quando se ausentou da minha ausência minha parte ausente
A ausência se confundiu entre graça, amor, esperança e presença
Quando a liberdade do amor motivou seguir em frente
A própria liberdade se confundiu e considerou estar presa
Quando é verdadeiro e verdadeiramente livre o amor que sente
Ele se perde na confusão entre razão, paixão, fraqueza e fortaleza
outubro 9, 2009 No Comments
Belos e Amantes
Amor é a chama inextinguível intrínseca ao coração do ser humano. Chama que queima no âmago de tudo que foi criado com o fôlego de vida; chama que conecta maternalmente toda criação.
Por isso amante é aquele que se reconhece um com o mundo e com as pessoas, que entende toda criação como sua comunidade e reconhece parentesco em tudo que tem vida.
Sentimento às vezes misterioso, porque o Amor é mesmo intangível. Intangível porque é transcendental, escapa à nossa compreensão intelectual, passível de conhecimento apenas na dimensão do sagrado numinoso, pela experiência.
O sagrado numinoso transmite sentido existencial. Tudo que transmite genuíno sentido existencial é Amor, porque nos aproxima da Realidade à medida que experimentamos a vida.
Realidade que perpassa toda a vida, que não soma débitos nem créditos, mas está noutra dimensão. Na dimensão do eterno, do impensável, do inexprimível… Da Beleza.
Vivemos na dimensão da Beleza quando amamos, e somos salvos, porque o Amor é Real. Por ser Beleza e Amor essência de tudo que foi criado, chama inextinguível intrínseca ao coração do homem, somos atraídos por Ela.
Belo, então, é aquele que encontra o Amor, e ama a criação como seu lar; é capaz de identificar a Beleza na sua multiforme expressão, perpassando toda a realidade, alcançando toda a vida, como a chuva e o Sol.
Somos feitos amantes à imagem da Beleza, e belos à semelhança do Amor.
outubro 5, 2009 4 Comments
Prece do Brasileiro
Carlos Drummond de Andrade
Meu Deus,
Só me lembro de vós para pedir,
mas de qualquer modo sempre é uma lembrança.
Desculpai vosso filho, que se veste
de humildade e esperança
e vos suplica: Olhai para o Nordeste
onde há fome, Senhor, e desespero
rondando nas estradas
entre esqueletos de animais.
Em Iguatu, Parambu, Baturité
Tauá
(vogais tão fortes não chegam até vós?)
vede as espectrais
procissões de braços estendidos,
assaltos, sobressaltos, armazéns
arrombados e – o que é pior – não tinham nada.
Fazei, Senhor, chover a chuva boa,
aquela que, florindo e reflorindo, soa
qual cantada de Bach em vossa glória
e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca,
ao pobre sertanejo destruído
no que tem de mais doce e mais cruel:
a terra estorricada sempre amada.
Fazei chover, Senhor, e já! numa certeira
ordem às nuvens. Ou desobedecem
a vosso mando, as revoltosas? Tudo
é pois contestação? Fosse eu Vieira
(o padre) e vos diria, malcriado
muitas e boas… mas sou vosso fã
omisso, pecador, bem brasileiro.
Comigo é na macia, no veludo/lã
e matreiro, rogo, não
ao Senhor Deus dos Exércitos (Deus me livre)
mas ao Deus que Bandeira, com carinho
botou em verso: “meu Jesus Cristinho”.
E mudo até o tratamento: por que vós,
tão gravata e colarinho, tão
vossa excelência?
O você comunica muito mais
e se agora o trato de você,
ficamos perto, vamos papeando
como dois camaradas bem legais,
um puro; o outro, aquela coisa,
quase que maldito
mas amizade é isso mesmo: salta
o vale, o muro, o abismo do infinito.
Meu querido Jesus, que é que há?
Faz sentido deixar o Ceará
sofrer em ciclo a mesma eterna pena?
E você me responde suavemente:
Escute, meu cronista e meu cristão:
essa cantiga é antiga
e de tão velha não entoa não.
Você tem a Sudene abrindo frentes
de trabalho de emergência, antes fechadas.
tem a ONU, que manda toneladas
de pacotes à espera de haver fome.
Tudo está preparado para a cena
dolorosamente repetida
no mesmo palco. O mesmo drama, toda vida.
No entanto, você sabe,
você lê os jornais, vai ao cinema,
até um livro de vez em quando lê
se o Buzaid não criar problema:
Em Israel, minha primeira pátria
(a segunda é a Bahia)
desertos se transformam em jardins
em pomares, em fontes, em riquezas.
E não é por milagre:
obra do homem e da tecnologia.
Você, meu brasileiro,
não acha que já é tempo de aprender
e de atender àquela brava gente
fugindo à caridade de ocasião
e ao vício de esperar tudo da oração?
Jesus disse e sorriu. Fiquei calado.
Fiquei, confesso, muito encabulado,
mas pedir, pedir sempre ao bom amigo
é balda que carrego aqui comigo.
Disfarcei e sorri. Pois é, meu caro.
Vamos mudar de assunto. Eu ia lhe falar
noutro caso, mais sério, mais urgente.
Escute aqui, ó irmãozinho.
Meu coração, agora, tá no México
batendo pelos músculos de Gérson,
a unha de Tostão, a ronha de Pelé,
a cuca de Zagalo, a calma de Leão
e tudo mais que liga o meu país
e uma bola no campo e uma taça de ouro.
Dê um jeito, meu velho, e faça que essa taça
sem milagres ou com ele nos pertença
para sempre, assim seja… Do contrário
ficará a Nação tão malincônica,
tão roubada em seu sonho e seu ardor
que nem sei como feche minha crônica.
30 de maio de 1970.
setembro 29, 2009 No Comments
Poema?
Poema do Will Romanini, jovem da Betesda Sede, SP.
Não sei ainda o porquê, mas resolvi fazer um poema
Nunca tinha feito, poderia ser um problema
Existe primeira vez pra tudo, e nem custa tentar
O mais difícil eu já fiz, que era começar
Porém esse negócio, não é tão fácil não
Acho que pra dar certo, tem de vir do coração
Pra ficar mais legal, pode-se colocar alguma rima
Adequar às palavras na frase, combinando a última sílaba
Eu sou assim meio doido, às vezes tenho esses cinco minutos
Começo a olhar para os lados, e reparar em tudo
Mas reparar no bom sentido, não é no pejorativo
Às vezes escapa uma, mas essa guardo comigo
E quanto mais eu olho, mais eu vejo motivo
Olho mesmo pra tudo, pra tirar algo de bom
Quando estou assim, de todo lugar vem inspiração
Acho que descobri sem querer
Uma coisa legal de fazer
Olhar pra todo lado, e começar a escrever
O mais interessante, é que nem precisa de tema
Não sei se deu certo
Aquele meu suposto problema
Mas hoje escrevi, o meu primeiro poema
Will Romanini
setembro 21, 2009 4 Comments
