Todo ponto de vista é a vista de um ponto
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ENSAIO SOBRE MINHA CEGUEIRA

Sabemos que não podemos estabelecer verdades a partir de um ponto de vista limitado, sem ter noção do todo.

 Entretanto, noutro dia estava com um amigo analisando e debatendo sobre a beleza e majestade de um caudaloso rio.

 Obviamente não podíamos ver a totalidade do rio do ponto que estávamos. Tão pouco fomos os primeiros a chegar lá, muitos já conceituavam e tentavam entender um pouco acerca do rio. Tirávamos nossos princípios, enquadrando dentro de verdades absolutas as características que entendíamos como sendo das águas.

 Havia muitos pontos de discórdia, mas existia um comum. Este ponto dizia a respeito das cheias e a intervenção das águas em todo o ecossistema que estava ao redor do rio.

 Todos aceitavam que o rio influenciava na vida dos ribeirinhos, plantas e animais quando aconteciam as cheias.

 Surpreendi-me quando meu amigo disse, “estamos todos errados, o rio não interfere mais no ecossistema!”

 Como assim? Indaguei.

 Ele continuou, quase não notando meu espanto.  “ O rio já interferiu, no passado, mas hoje não sobe mais. Vejo claramente,  tudo o que precisava ser feito, já foi feito! Um dia as águas subiram, mas agora a vida segue seu rumo natural, às vezes com ordem e às vezes sem ordem alguma. O fato é que hoje não há interferência das águas nas margens que estamos ou em qualquer outra…”

 Debatemos muito sobre o  tema, de plano fui contrário a visão do meu nobre amigo, mas por respeito e carinho a ele tentei rever as minhas até então imutáveis verdades.

 Notando indícios e provas de que as cheias já não aconteciam, ele me propôs o exercício de revisar tudo o que já havíamos visto ou ouvido acerca do rio.

 Dentro das minhas limitações, mas realmente disposto a quebrar paradigmas, topei e passei a ouvir seus argumentos. Aprofundei-me, incansavelmente busquei algo que para meu amigo parecia ser tão claro e lógico.

 Não vi nada diferente(!?).

 Então meu querido amigo me disse com toda a ternura que lhe é peculiar, “o problema está nos seus óculos, às lentes estão sujas, borradas pelas sobras das suas verdades remanescentes”.

 Já não muito convencido, mas ainda em busca da Verdade aceitei trocar minhas lentes com as dele. Tentei rever o rio, não só o rio, mas todo o ecossistema em que o mesmo estava inserido. E nada.

 Hoje continuo aqui, ao lado do meu velho e fiel amigo, continuamos analisando o grande e único rio ou pelo menos uma parte dele. A cada dia tentamos aprender mais sobre este belíssimo, contínuo crendo que as águas sobem. Contínuo vendo como milagrosa e inexplicavelmente elas mudam as situações no ecossistema ao nosso redor.

 É verdade, não sei precisar em que parte do leito do grande rio ou mesmo o tempo, que isto acontecerá, só sei que acontece.

Já meu amigo acredita diferente. Ele crê que as cheias não acontecem que não há influência direta na realidade das beiras e de seus habitantes, como ele mesmo diz “não seria justo as margens e os ribeirinhos serem favorecidos por esta esporádica irrigação, enquanto o resto sofre com a seca”.

Pois bem, como disse, ainda estamos aqui, ainda andamos juntos, vendo e debatendo sobre o rio que continua ali, lindo, fabuloso, majestoso.

 Só uma coisa me intriga, é curioso pensar que estamos juntos, no mesmo ponto, olhando para o mesmo lugar e tendo visões tão diferentes.

Mais inexplicável ainda, é sentir meus pés encharcados pela última cheia, enquanto meu amigo afirma que seus pés estão mais secos do nunca…

 Será que somos cegos ou apenas loucos?

 

Nabih Henrique Chraim

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5 comments

1 Nelyana { 09.11.09 at 14:48 }

Olá!
muito bom o blog, vcs são de que cidade?
tomei a liberdade de colocar um link lá no nosso blog ;D
haha

Deus abençoe,

2 Marcio Uno { 09.11.09 at 15:20 }

opa Nabih….Gostei, não sei se o rio é uma metáfora ou não, mas belo texto cara. Bom, pelo menos em uma das coisas você e seu amigo concordam: que há o rio. Os pontos de vista são diferentes, mas o ponto de análise é o mesmo. Abraços cara.

3 Nabih { 09.11.09 at 15:51 }

Olá Nelyana, somos de várias cidades do Brasil, fizemos parte da Igreja Betesda, eu sou de Florianópolis – SC, sei que tem uma turma de São Paulo e Fortaleza que também escrevem no blog. Dê uma olhadinha em “quem escreve nesse blog”.

Gostei da observação Marcio. Quanto ao texto ele pretende ser metafórico sim. Através dele tento demonstrar quão limitada é a nossa visão acerca de Deus. Assim como de um ponto na margem não podemos enxergar o leito inteiro de um rio, jamais teremos noção da plenitude de Deus (pelo menos em nossa lmitada humanidade). E mais, muitas vezes estamos olhando para mesma coisa, do mesmo lugar e enxergando coisas completamente diferentes, nem por isso teremos que deixar de andar juntos.

Espero que vocês sintam o milagre das águas nas suas vidas.

Abraço a todos.

4 Karime { 09.11.09 at 23:39 }

Mais uma vez, SENSATO, PRECISO, SÓBRIO…
Engraçado com a inidez com que percebi “teu amigo”, engraçado tbém… Engraçado tbém, notar que ao mesmo tempo que “nosso amigo” é tão sensível, criativo e doce jamais tira ‘o pé do chão’, mesmo quando se trata do Rio…

5 Abel { 10.10.09 at 14:32 }

Querido Nabhi!
Gostei muito do texto “Ensaio sobre a minha cegueira”
Cara você é bom nisso, em expressar suas idéias no papel, continue.
Também estou analisando este rio e minhas conclusões batem com as suas, e o interessante é que no livro dos livros fala sobre a importância e o efeito deste grande rio.
Vejamos no livro de cânticos e poesias no Salmo de número um; ”Bem aventurado o homem que tem o seu prazer na lei do Senhor=o grande rio, Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto… Os ímpios não são assim…não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos.” A diferença entre um rio de fato e o citado aqui, é que o homem pode se aproximar desse rio, aliás ele está perto de todos (ver o discurso do Apóstolo Paulo em Atos 17:16-34), este texto deixa claro que só não se beneficia deste rio quem não quer, mas também deixa claro que aqueles que não tem conhecimento deste rio precisam ser avisados por quem já o conhece e se beneficia dele, veja o verso 25b,26. Há também um benefício na esfera natural do curso da vida, porém não na espiritual, pois isto depende da vontade do homem de se relacionar com este “RIO” “pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação (soberania de Deus); para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos (onipotência de Deus), como alguns dos vosso poetas têm dito: Porque dele também somos geração. Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem. Ora, não levou Deus em conta OS TEMPOS DA IGNORÂNCIA; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda a parte, SE ARREPENDAM; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça(onipotência e soberania), por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos. Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião. A essa altura, Paulo se retirou do meio deles. Houve, porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e, com eles, outros mais.
Nós não podemos perder de vista o Ministério da Reconciliação que Deus confiou aos que crêem (2ª Co. 5:18-7:6), que se dá por meio da proclamação quer seja por pregação, testemunho ou frutificação pelos mais diversos meios de comunicação (música, poesia, arte, teatro, panfletagem, culto, rádio, TV, jornal, revista, livros, ações sociais de justiça e socorro, etc.)coisas que os anjos anelam prescrutar (1ª Pedro 1:12), mas que só terá êxito quando feito pelo poder do Espírito de Deus nos corações que se abrem para receber e assim nascer da água e do Espírito conf. João 3:1-15 para então nascer de novo da água e do Espírito, e poder visualizar o reino e entrar no reino, pois o que nasce da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito João 3:15 “para que todo o que nele crê tenha a vida eterna”; em João 1:12 e 13 deixa claro que a salvação está exposta e disposta a todos, mas nem todos desfrutarão, conseqüência da sua escolha própria, “crer ou não crer, eis a questão”, e para ser filho tem que crer e nascer de novo. Também precisamos ressaltar que apenas obras sem o verdadeiro amor de nada adianta conf. 1ª Co. 12:31b a 13:13. A fé sem obras é morta, mas as obras sem fé não salvam ninguém. (Rm 11:6; Rm 9:6-33; Ef.2* … vers.8 e 9 Porque pela graça sois salvos, MEDIANTE A FÉ; E isto não vem de vós; É DOM DE DEUS; NÃO DE OBRAS, para que ninguém se glorie… ; Tiago 2:8-26).
Não podemos tirar Deus do centro e colocar o homem, o homem tem suas responsablidades de responder e corresponder a graça, mas para isto continua dependendo única e exclusivamente de Deus (Sem mim nada sois e sem mim nada podeis fazer. Tanto o querer quanto o efetuar vem do Senhor. Bom só existe um. Toda boa dádiva vem de Deus. As armas da nossa milícia não são carnais mas sim espirituais. Mas recebereis poder ao descer sobre vós e Espírito Santo e sereis minhas testemunhas… são citações bíblicas condicionais para hoje impossíveis de ignorar)
Deus te abençoe ricamente, te de sabedoria e discernimento espiritual pelo seu Espírito que o mundo não pode receber, porquê não o vê, nem o conhece, pois só Ele pode nos guiar a toda a verdade, nos ensinar e fazer lembrar do que Jesus nos ensinou, e nos convencer do pecado, da justiça e do juízo, conforme falou nosso amado mestre Jesus em João 14:16-29 e 16:7-15.
É necessário oração e vigilância, exame das escrituras com as lentes do Espírito Santo, congregar pois somos edificados pelos dons e ministérios que o Senhor conferiu a cada um e o Espírito deu conforme o apraz. A prática do jejum também não deve ser esquecida num ato de consagração de vida e intercessão por aqueles que ainda não O conhecem. O evangelho tem sua riqueza sem deixar sua beleza simples e singela para que os mais rudes desinformados e iletrados também possam ter acesso a tão grande salvação, salvação esta que não podemos negligenciar, Rm 1:16 e 17, 18-32.
Um forte abço.
Pr. Abel F e família.

Dê o seu pitaco