Todo ponto de vista é a vista de um ponto

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Vamos pra onde?

Vamos orar pelo dinheiro da propina
Da gente que todo (santo, ou não) dia
Segue a sina de levantar e trabalhar.

Vamos rezar a todos os santos
Negros, amarelos ou brancos
Acendendo uma vela para Deus
E outra pra quem mais precisar.

Vamos com a cara lavada,
Com a gravata engomada
Por o dinheiro na meia, na cueca
E lá também…se precisar.

Vamos que assim a gente leva ao pé da letra
O texto que diz que a função do capeta
É só mentir, roubar e matar.
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dezembro 8, 2009   Nenhum Comentário

2012

2012 se aproxima. Será que o fim do mundo está próximo como afirma argumentos cinematográficos apocalípticos?

Pode ser como pode não ser. Na realidade pouco importa tentar desvendar acontecimentos escatológicos. Somos desmotivados pela própria Palavra em saciar nossa curiosidade – Diz: “daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai”. (Mc. 13:32). Assim, não podemos fazer qualquer assertiva neste sentido, a Bíblia é clara e não deixa margem para discussão.

Até 2012 as dores que prenunciam o Segundo Advento continuarão a se evidenciar. Tragédias afora, espalhadas por toda parte. Dentre elas acontecerão duas eleições (2010 e 2012), sendo que eleição no Brasil trata-se de uma “tragédia”.

Assim chegam muitas notícias que no meio evangélico existem “pré-candidatos”, sendo muitos deles líderes de congregação.

E neste contexto indagamos questões que não podem calar. Surgirão novos Júnior Brunelli (pastor, deputado distrital e corregedor da Câmara) envolvido no último escândalo de Brasília? “Pastores” orando por “senhores” que acabaram de lhe dar um gordo maço de dinheiro, como o pastor acima citado. Ou dos muitos escândalos envolvendo pastores e líderes evangélicos?

Quem não se lembra da “bancada evangélica” envolvida no escândalo da sanguessuga, onde 28 “parlamentares evangélicos” estavam envolvidos.  Não nos esqueçamos do escândalo do mensalão, onde podemos contar com a nobre participação do  Bispo Carlos Rodrigues.

Estamos inseridos  no meio de uma raça de víboras, hipócritas, profetas de meia, corruptos, que fazem dos púlpitos palanques políticos, indignos de se autodenominarem Cristãos.  

É hora de nossas palavras serem corroboradas por nossas atitudes.

Note, não defendemos a tese de que cristão deve ser apolitizado, apenas não podemos nos contaminar com esse mundo. Mas isto é tema para uma outra reflexão, hoje é apenas um dia, uma manhã de revolta, de desabafo e de algumas lições.

Debatendo com amigos (não evangélicos) sobre o tema, um deles, Gabriel Kazapi, afirmou “o meio de transformação social do pastor de igreja, não é a política. Mas sim, a própria igreja, o trabalho social, recuperando vidas e famílias”. Concordo.

Pena que a indústria cinematográfica não pode dizer qual é o dia, ao menos nos pouparia de tamanha VERGONHA!

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dezembro 4, 2009   Nenhum Comentário

Meus Dedos

Meus dedos às vezes me surpreendem.
Fico cheio deles quando me sinto intocável.
Quando o ver e o julgar são meus e não de alguém
Meto os dedos pelos olhos de outrem: atitude abominável.
Dedos que, quando curvados, somam-se ao punho cerrado
E cedem ao capricho traiçoeiro e incontrolável
De empreender força e poder, num gesto obcecado.

Dedos que quando confabulam por vezes me traem.
Querem para si, o dom do rei Midas – mito ou realidade? Não importa.
O fato é que Baco, com pesar, consentiu o desejo do pobre homem.
E o poder do toque de ouro, prosperidade tola, escolha torta
Logo trouxe ao monarca horror, desespero, aflição.
E aí meus dedos viraram-se para mim, abrindo assim a porta
Dizendo: é tudo efêmero, passageiro, vão. Queres morrer de inanição?

Dedos justapostos, gesto de reverência, fragilidade,
[contrição.
Dedos entrelaçados que retardam o agir,
[procrastinação.
Dedos que insistem em não se encolher
Apesar da dor dos anéis que se foram e dos que ainda se vão,
[não temer.

Indicadores e médios estalados: som, ritmo e cadência.
Mindinhos que não se dobram sem os anulares:
Força da dependência ou poder natural da influência?
Dedos presentes até na promessa escoteira
Indicador, médio e anular nos lembram, como uma flor de lis
O compromisso para com Deus e a Pátria brasileira,
Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, assim o promessado diz.

Dedos que individualmente nos ensinam também na lida.
Polegar que funciona como termômetro da vida:
Para baixo: tô fraco, devagar, negativo, sem futuro, vaia em “u”;
Para cima: beleza, legal, positivo, pode crer, tudo azul!
Médio que quando altivo oprime toda mão,
Torna-se feio, grosso, mal educado, inconveniente, torpe palavrão.
É cascudo violento, bronca, malvadeza, tolice, esforço em vão.

Indicador em riste é dono da verdade, todo orgulhoso.
Tem mínimo, anular e médio como antítese incontestável;
Obriga o polegar a colocar alguém como mentiroso.
O anular, onde ordinariamente encontra-se algum anel,
Quer seja de formatura, compromisso, aliança, tucum,
Insiste em nos perguntar, às vezes, com gosto de fel:
Ei, psiu! Por ventura esquecestes que és tu?

O mindinho é completude, virtude, simplicidade!
O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, mecânico, torneiro
Não pode fazer conchinha nem coçar o ouvido, verdade!
Não parou com a prensa que a vida lhe deu, em frente, companheiro!
Até Baden Powell, na África, aprendeu essa lição de amizade:
Sela o aperto de mão esquerda, do lado do coração do guerreiro
Que baixa o escudo em reconhecimento, confiança, sinceridade!

Dedos meus com os quais sempre converso
Ponta com ponta: polegares no queixo, indicadores sobre o nariz,
Reflexões tamanhas, pensamentos e enredos em prosa e verso
É como pondera, às vezes ligeiro, outras sem pressa, o eterno aprendiz.
E assim seguem os dez dedos meus.
Partes contidas no todo desse humano corpo:
Morada do Espírito, Templo de Deus.

Abração a Tod@s!

Wendel Cavalcante

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dezembro 2, 2009   2 Comentários

QUEM SOU EU?

Quem sou eu?
Uma voz ou um sussurro
Talvez um diálogo ou ainda um monólogo
Será um vilão ou um herói
Não sei se sou paz ou se sou guerra
Uma comedia ou um drama
Uma parte de mim diz sim
Outra diz não
Às vezes viajo
Outras vezes fico estacionado
Iludo-me para em seguida ser desiludido
Já ansiei a vida hoje aspiro à morte
Não sou pessimista e nem tenho esperança

 

Meu Deus quem sou eu?
Que oscila entre
A verdade e mentira
O santo e profano
O gênio e o medíocre
O bem e o mal
O altruísta e o egoísta
O amor e o ódio
A alegria e a tristeza
 

Houve dia que tive Deus
Hoje parece que tenho o inferno
Já sonhei e agora vivo a realidade
Que é simplesmente um pesadelo
Tenho saudade
Mas não perdi nada e nem ninguém
Já sei
Perdi a mim mesmo
Meu Deus!
Acho que sou a contradição
Afinal quem sou eu?

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novembro 30, 2009   1 Comentário

Matar ou deixar viver?

Lao-Tsé

Alguns são assaz corajosos
Para terem a coragem de matar.
Outros são assaz corajosos
Para parecerem covardes
E terem coragem de conservar a vida.
Matar ou deixar viver –
Tanto isto como aquilo por vezes considerado mau.
Quem ousaria dizer
Qual o critério das potências eternas?
Nem o sábio sabe,
E, na dúvida, entrega tudo
Ao Tao Infinito,
Mas o Infinito se revela assim:
Ele prevalece – sem violência.
Ele dá ordem – sem comando.
Ele atrai – sem se impor.
Atua com finalidade – mas sem interesse.
É uma rede de malhas largas,
Mas nada lhe escapa.

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novembro 27, 2009   Nenhum Comentário

Amar

André Comte-Sponville

“Estar apaixonado é um estado”, dizia Denis de Rougement; “amar, um ato”. O casal, quando o amor sobrevive à coabitação, quando nela cresce, permite que passemos deste estado (o amor-paixão: aquele que sofremos) para esse ato (o amor-ação: aquele que fazemos, cultivamos, assumimos). É preciso ser bem jovem ou bem ignorante para não ver nisso um progresso. Estar apaixonado é sentir falta de alguém: I need you; te quiero… Amar é não sentir falta de nada: é fruir e regozijar-se de uma presença, de uma existência, de um amor. Cuidado, contudo, para, entre esses dois pólos, não absolutizar a diferença.  Não há nada mais relativo, nada mais flutuante que nossas histórias de amor. Por força de nossa finitude, há sempre uma falta em nós, sempre paixão ou passividade, sempre dependência, sempre uma criancinha que busca um seio ou um amor. E quase sempre bastante força ou alegria para dá-lo, ao menos um pouco. “A criança só sabe pegar”, dizia Svâmi Prajnânpad, “é o adulto que dá”. Isso pelo menos indica o caminho. Comumente, começamos por amar aquele ou aquela que não temos, que nos falta, que gostaríamos de possuir e conservar; depois aprendemos a nos regozijar, no melhor dos casos, com o que ninguém jamais possuirá, que é a existência do outro, a liberdade do outro, o amor do outro… O casal não é o contrário da solidão: é um modo de vivê-la juntos, sem negá-la ou renegá-la, sem aboli-la ou traí-la. “Na medida em que somos sós”, escrevia Rilke, “o amor e a morte se aproximam”. Também a solidão e o amor, na medida – sempre finita – em que vivemos.

Que tudo isso começa na sexualidade – no mais obscuro do homem e da mulher, no mais animal, no mais bestial, e nem por isso menos humano – é o que ninguém ignora e que constitui como que um prazer a mais, que nos fascina, que nos assusta, que nos move e nos comove. Maravilhosa obscenidade dos corpos. Alegre repetitividade do desejo. Perturbadora intimidade das carícias. Esplendor da volúpia. E tanta violência, e tanta doçura, e tanta ternura! Poder de fruir. Poder de se regozijar. O sexo é uma noite e um sol. O amor – quando amor há – é sua luz e seu repouso.

Eu te amo: preciso de ti e de teu amor, de teu corpo e de teu sorriso, de teu olhar e de tua paz. Para ser feliz? Sim, quando possível. E, para suportar não sê-lo, quando a felicidade falta.  

 

André Comte-Sponville
A vida humana
Capítulo V – Amar
WMF Martins Fontes

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novembro 25, 2009   1 Comentário

Dias de manhã

Têm dias de manhã que Deus chega até mim
Me diz coisas bonitas e me abençoa
E nessas manhãs eu amo e adoro
A beleza da simplicidade
Meu Deus é um Deus santo.
Têm dias de manhã que Deus me acorda, me abraça e diz: Filho meu
E nessas manhãs eu amo e louvo
A beleza da fidelidade
Meu Deus é um Deus presente.
Têm dias de manhã que Deus sopra um vento leve, abre as janelas, bagunça meus cabelos e sorri, sorri… simplesmente sorri
E nessas manhãs eu amo e agradeço
A perfeição de sua compania
Meu Deus é um Deus amigo.
E assim são e serão meus dias
Pois o que é vida senão a vida com o Senhor?
E que assim seja todo início de dia
Até que Ele venha
Até que Ele diga:
“Descansa amor meu, descansa
Pois o sol da tua manhã que nasce
Não chegará a se pôr”.
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novembro 25, 2009   3 Comentários

Meu Pequeno Lírio Branco

Poema que dedico a Sayuri, a extensão da minh’alma.

Imagem extraída do site: http://br.olhares.com/lirio_branco_foto385533.html

Vai nascendo a esperança
Despontando no horizonte do Oriente
Brotará nos corações a virtude do amor
Pequena, que afeiçoa a lembrança

A surgir em terras campestres
Simples, colorindo a velha estrada
Transformará os olhos na magia da paixão
Bela, que revela as mãos do Mestre

Vem atraindo joaninhas e sabiás
A sintonia da natureza em sinfonia
Inspirará ao mais sábio trovador
Encantadora, que lindo canto nos lábios traz

No cativar da luz da aurora
Com suave aroma invade
Enobrecerá as pétalas da história
Princesa, que perfuma a imensa flora

Descansando nos vales da vida
É o refrigério chegando da fonte
Repousará no colo das águas
Serena, que a brisa da alma abriga

A semear nas trilhas sombrias
Se multiplicando noutros jardins
Cultivará no crescente fértil da terra
Amiga, que a seiva traz as companhias

Do profundo silêncio das matas emana
Um ressoar que assola a quietude e solidão:
Lírio Branco, floresce em mim
Filha minha, doce e terna Polyana

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novembro 23, 2009   Nenhum Comentário

Sonhar

Sonhar Sozinho no meu silencio

Tento pensar.

Organizar idéias que são muitas.

Às vezes até penso que são infinitas.

Mas quando quero não acho nenhuma

Evaporou.

Da mesma forma que apareceu

Sumiu.

Sou teimoso e insisto forçando o raciocínio.

Lá no fundo aparece uma e outra.

Mas é muito difícil de identificar quem é quem.

Está tudo misturado,

Embaçado como a nevoa.

Parecia tudo tão fácil

Estava ali

Quando pego papel e caneta

Cadê?

Como é ser um sonhador?

Como é ser um amante?

Como é ser um poeta?

Eu não sei

Sei que é um dom.

Nasce com você

É privilegio de poucos.

Sei que não é o meu caso

Eu apenas aspiro

Admiro e às vezes até sonho.

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novembro 21, 2009   1 Comentário

Peso Inverso

Texto de Heber Emerich

Vivemos num mundo onde respeito virou ofensa, (já experimentou chamar uma mulher de senhora?)

Declaração de sentimentos ficou brega,

Palavras com os mais poderosos significados, transformaram-se em chavões sem valor,

Expressões carregadas de verdades, hoje são clichês.

Tudo depende, tudo é relativo,

Amor é utopia, felicidade é inalcançável,

Tomar posição ou ter opinião é burrice,

Paixões são fraquezas, e fraquezas são mal vistas.

Valoriza-se a pessoa pelo preço dos bens que ela possuí.

A informação é tendenciosa, manipulada, manipuladora, duvidosa e traz dúvidas,

Num grupo ou em alguém, só há maldade, ou, só a bondade, dependendo de quem está observando.

Ideologia é estupidez, paz é guerra, conhecimento é inútil, critica é chatice.

Arte é qualquer coisa, bunda é instrumento musical,

E Deus, virou religião.

[hebER]

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novembro 18, 2009   Nenhum Comentário