Visão além do alcance
Em matéria publicada no Jornal O Povo do dia 04/o8/2009, no artigo intitulado “Silêncio aterrorizante”, a jornalista Adísia Sá nos provoca a refletirmos sobre os movimentos com presença massiva de jovens. Explico.
Referido artigo faz uma comparação entre uma micareta (carnaval fora de época) e um outro evento de cunho religioso, e denuncia, de forma não positiva, a pobreza de linguagem, ou ainda, nas palavras da jornalista, “a ausência de linguagem, ou seja, falta de conversas, troca de ideias”.
E o que estaria acontecendo com os nossos jovens? Seria esse um período de letargia, indiferença, acomodação? Estariam os jovens “encabrestados intelectual e emocionalmente”, como sugere a jornalista?
Seria esse o “neoapelo”: entretenimento e leite?
Por estarmos inseridos nesse contexto e historicamente herdeiros de uma tradição de não nos envolvermos nas questões relativas a “Velha Jerusalém”, é que nossa (não)contribuição não diminui.
Precisamos, com urgência, exercitar os diálogos não só com a cidade, mas com o mundo. Aprender, ensinar, compartilhar e criar novas linguagens capazes de nos aproximar de “todas as tribos, povos e raças, de tantas culturas, línguas e nações; no tempo e no espaço”. São desafios que estão diante da nossa geração.
Não podemos mais fechar os olhos para a realidade de que tudo está inter-retro-relacionado com tudo.
Com as juventudes não poderia ser diferente. Estamos dentro contexto dos inter-retro-relacionamentos, a pesar de muitos jovens estarem conectados numa espécie de uma “matrix”.
E a profecia de Joel 2. 28, que nos anuncia que “os jovens terão visões”?
Aprendi que a visão reponde à perfunta: o que queremos ser?
Será que nossas joventudes estão fazendo essa pergunta? Ou será que “ainda somos os mesmos e vivemos com nossos pais”, como canta Belchior?
As perguntas são muitas e a nossa geração não pode parar de buscar respostas para elas, mesmo sabendo que a dinâmica da vida se encarrega de mudar as perguntas com o passar do tempo.
Concluo dizendo que a pesar de ser legítima a preocupação da jornalista Adísia Sá, que saiu do magistério devido à “pobreza de linguagem… e de conteúdo de alunos das novas turmas”, continuo esperançando e compartilhando a Boa Notícia na minha geração. E para os que estão dormindo, um chamado: “Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti”(Is 60. 1).
Abração!
Wendel Cavalcante

3 comments
Parabens pelo novo blog! Deus bendiga!
Boa exposição Wendel !!
Infelizmente temos que lutar também pela democratização da comunicação .. de que adianta falar se não há quem ouça !!
Abração !
O texto da Adízia é incrível! Vlw Wendel
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